quinta-feira, 16 de abril de 2009

22-03-2009 Serra D’Arga (1)

Trilho do Cabeço do Meio Dia - 8 Km / Circular
Rede de Percursos Pedestres Valimar


Olá Amiguinhos

Cá estamos uma vez mais para vos relatar outra bela caminhada que o Grupo Familiar “Caramulinha” levou a cabo pelo Norte deste Portugal maravilhoso.
Já desde o Ano de 2005 que não vínhamos caminhar pelas veredas das encostas da Serra D’Arga.
Desta vez, viemos calcorrear pelo espaço geográfico da Serra pertencente ao Concelho de Caminha, como são sobejamente conhecidas as Freguesias de Arga de Cima e de Baixo.
Na realidade, em 2004 percorremos alguns lugares maravilhosos desta região, em trilhos feitos de algum improviso.
Soubemos, posteriormente, que já haviam sinalizado alguns percursos mas, fomos adiando até hoje o nosso regresso à Serra D’Arga.
Nunca é tarde para recordar ou descobrir novos horizontes.
Optamos, então, pelo Trilho do Cabeço do Meio Dia, com uma distância de 8 km e que faz parte da rede de percursos pedestres da Valimar – ComUrb. Foi marcado e sinalizado pelo Clube Celtas do Minho, com a colaboração da Câmara Municipal de Caminha.

Começamos cerca das 09.30H ao sentido contrário do que manda o folheto descritivo, para tentarmos encontrar mais pessoas no aglomerado habitacional, que se avistava logo ali a 500 m.
Encontramos poucos habitantes, alguns pastores a guiar o gado para o monte, parecendo que até fugiam de nós, ou já iriam atrasados, pois não paravam…
O Tiago, jovem habitante do lugar da Gândara, é que conversou um pouquinho connosco e disse que gostava de ter mais amiguinhos para brincar.
No final da etapa visitamos esse interessante monumento de arquitectura rural, o “Pontão do Lobo” lançado sobre o regato da Fraga.

Segundo nos contou o Sr. António, de Arga de Baixo, reza a história tradicional das Argas, que era por ali que o lobo ibérico passava, altas horas da noite, quando vinha até próximo dos currais junto das habitações, no intuito (quantas vezes vitorioso) de roubar um cordeiro ou cabrito de tenra idade.
Quando tinha crias, já não comia a ovelhita e como a transportava para o covil, oculto algures na serra, dava-lhe jeito atravessar o regato por aquele pontão.
É tão verdade, porque chegou a ser avistado a fugir por ali, dizia o Sr. António.
(...) Agora… já não se vê lobos… nem lá longe na Serra, complementa.


Em 2003 o biologo Francisco Álvares, que estuda e acompanha já há alguns anos as (praticamente extintas) alcateias de lobos que outrora vagueavam pela Serra d'Arga, deixava a sua opinião, testumunhando um cenário deveras problemático sobre a existência, no futuro, do Lobo Ibérico no habitat mais próximo ao litoral, concretamente a fantástica Serra d'Arga:

A alcateia mais perto da costa atlântica em risco de extinção!

O lobo ibérico está em perigo de extinção na Serra d'Arga, no Alto Minho português, a zona mais perto da costa atlântica onde se detectou a presença desta espécie única cujos vestígios são cada vez mais raros.
"É um privilégio ter lobos nesta paisagem de montanha tão bonita, com o mar em fundo", afirmou o biólogo Francisco Álvares, um dos maiores especialistas portugueses em lobo ibérico (canis lupus signatus).
O biólogo falava à Lusa durante uma visita de trabalho à Serra d'Arga, um maciço granítico situado entre os vales do Lima e do Coura, classificado como Sítio Natura 2000, que abrange os concelhos de Viana do Castelo, Caminha, Vila Nova de Cerveira, Paredes de Coura e Ponte de Lima.
O núcleo de lobos de Arga / Paredes de Coura, que Francisco Álvares estuda há cerca de uma década, tem diminuído nos últimos anos e deve estar reduzido a um número muito pequeno de exemplares.
Este núcleo, que é o que se encontra em maior risco de extinção no território português, era constituído por três grupos familiares, dos quais um está dado como extinto, já que não há indícios de reprodução desde 1996, e os outros dois não apresentam indícios de reprodução há dois anos.
"O lobo está a tentar sobreviver num mundo que tem cada vez menos lugar para ele", frisou Francisco Álvares, salientando as crescentes dificuldades que são colocadas ao lobo ibérico na Serra d'Arga, especialmente depois da construção do troço da A3 (Porto/Valença) entre Labruja e Romarigães, que isolou a alcateia, impedindo-a de contactar com as populações de lobos da área do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), uma das mais densas da Europa, com sete a oito lobos por quilómetro quadrado.
Totalmente afastada está a possibilidade de transferir animais da área do PNPG para a Serra d'Arga, já que, além da dificuldade de apanhar um lobo e dos perigos de se estar a manipular uma alcateia, eventualmente retirando-lhe elementos que não sejam excedentários, existe o problema social.
"As pessoas não aceitam a libertação de lobos na serra", admitiu Francisco Álvares.
A crescente pressão humana, a construção da auto-estrada e a falta de alimento são os três principais factores que estão a provocar o desaparecimento do lobo ibérico das zonas serranas do Alto Minho.

Texto: Francisco Ribeiro (Lusa) 2003

Continua…

22-03-2009 Serra D’Arga (2)

Trilho do Cabeço do Meio Dia - 8 Km / Circular
Rede de Percursos Pedestres Valimar

Descrição do Percurso

O “Trilho do Cabeço do Meio-Dia”, é um percurso pedestre denominado de Pequena Rota(PR) – as respectivas marcação e sinalização obedecem às normas internacionais.
Este percurso tem início junto à pequena capela de culto a St.º Antão, também vulgarmente conhecido pelo santo do chocalho, na povoação mais alta da Serra d’Arga – Arga de Cima. O respectivo ponto de partida localiza-se, precisamente, entroncamento da estrada de alcatrão e do caminho florestal. Seguindo por este caminho e virando, pouco depois, à esquerda, percorremos um trilho de pastores que nos conduzirá a um abrigo de caçadores de lobo. Daqui seguimos o trilho que desembocará na estrada florestal.

Passado algum tempo, deixamos esta estrada florestal para atravessarmos o ribeiro de Pombas e aproveitamos para visitar o Moinho das Pombas de Baixo. Alguns metros à frente viramos à direita para seguirmos um caminho lajeado que nos levará ao Moinho Velho.
Continuando a descer, desembocamos num caminho florestal, o qual nos conduzirá ao Moinho Novo.

Daqui, rumamos em direcção ao lugar de Varziela que faz parte do território da povoação de Arga de Baixo. Visitado o pequeno lugar, iniciamos uma curta ascensão por uma estrada florestal que nos levará ao Cabeço do Meio-Dia, que ostenta 550 metros de altitude e de onde podemos apreciar uma fantástica vista panorâmica da Serra d’Arga.

Retomando o mesmo caminho, agora em sentido descendente e chegados ao lugar de Varziela, seguimos o caminho que nos conduzirá à Ponte de Porto Carro e ao Moinho de Baixo.
Regressamos ao caminho para, seguindo para montante o ribeiro da Arga, visitar, desta forma, a bela Ponte e Moinho das Traves.

Deste local, seguimos pela estrada florestal, em direcção a Arga de Cima, visitando, pelo caminho, o Moinho da Fíchua e o lugar da Gândara. Pouco depois, no regato da Fraga, encontramos, à nossa direita, os Moinhos da Gândara.

Escassos metros à frente e cruzando o regato, um interessante elemento de inestimável valor do património arquitectónico e etnográfico da Serra d’Arga – o Pontão do Lobo.
Aqui, no Pontão do Lobo, termina este belo percurso, por terras de Caminha.

Continua…

22-03-2009 Serra D’Arga (3)

Trilho do Cabeço do Meio Dia - 8 Km / Circular
Rede de Percursos Pedestres Valimar


Poesia



Sereno, o Parque espera.
Mostra os braços cortados.
E sonha a Primavera
Com seus olhos gelados.

É um Mundo que há-de vir
Naquela fé dormente;
Um sonho que há-de abrir
Em ninhos e semente.

Basta que um novo Sol
Desça do velho Céu,
E diga ao rouxinol
Que a Vida não morreu!

Poema de Miguel Torga

As lentas nuvens fazem sono

As lentas nuvens fazem sono,
O céu azul faz bom dormir.
Bóio, num íntimo abandono,
À tona de me não sentir.

E é suave, como um correr de água,
O sentir que não sou alguém,
Não sou capaz de peso ou mágoa.
Minha alma é aquilo que não tem.

Que bom, à margem do ribeiro
Saber que é ele que vai indo...
E só em sono eu vou primeiro.
E só em sonho eu vou seguindo.

Poema de Fernando Pessoa

segunda-feira, 13 de abril de 2009

1º Aniversário do Blogue

É verdade! Já passou um ano!
Para o que lhes havia de dar!?
Filha, Pai e Mãe – numa inspirada tarde de Abril de 2008 – com parcos conhecimentos informáticos mas, com muita vontade, meteu-se-lhes na ideia de criar uma página na Internet, onde pudessem mostrar ao Mundo as suas simples Aventuras e descrever os seus pensamentos, ora contentes, ora tristes, de comuns mortais que somos.
Como as forças nos deram para andar…voluntários caminheiros, criamos a personagem “Caramulinha”.
Depois, o nosso lema foi “seguir em frente”, descrevendo o passeio de ontem, o pensamento do presente e a expectativa do amanhã, que a Vida não espera por ninguém.
Em dado momento, chegamos a duvidar das nossas capacidades, do conteúdo simples e franco das nossas mensagens, sempre com o objectivo de divulgar o pouco que sabemos, nomeadamente em duas componentes que nos dão vitalidade física e espiritual, ao qual tentamos, com este nosso trabalho, cativar mais adeptos a estas que são actualmente para nós, logo a seguir à Família, as duas facetas mais apaixonantes da Vida (com respeito por todo o resto): Pedestrianismo e Poesia.
Os dois fundem-se num só cristal e formam o mais belo poema que existe, podem crer!
Uma curta sondagem fez-nos ver que, afinal, este humilde blogue para a maioria dos seus visitantes, é interessante e útil.
As nossas obrigações e direitos como cidadãos Portugueses e do Mundo, quer trabalhando, estudando, criando e educando os filhos, pelo querer e a “Força” de Deus, já fazem qualquer mortal viver, sofrer e sorrir, …sonhar!...
Mas, nem imaginam a alegria que nos dão por sabermos que uma simples página pessoal que nos diverte e que através de um computador chega a casa de tanta gente, ainda traz, no fim de contas, (mesmo sabendo que nem chega sequer aos calcanhares de tantos) alguma utilidade para a Sociedade.
Não temos medo de ninguém e nem devemos nada mas, porque não queremos protagonismo, achamos por bem ser uma “personagem” a dirigir-se a vós.
Todavia, as várias (gostávamos que fossem mais) mensagens que fomos recebendo ao longo deste ano, foram todas de enorme simpatia e encorajamento para continuarmos, dentro das nossas possibilidades, a mostrar a todo o Mundo alguma da beleza que o nosso País encerra.
A poesia está sempre em tudo! É o dia de hoje, um rio que corre ou uma sombra que desaparece.
Por este pequenino Portugal, vamos descobrindo nos nossos passeios e caminhadas, imensas paisagens deslumbrantes, animais e plantas autóctones, monumentos com história, tradições e costumes de cada região.
Mas, acima de tudo, gentes locais desconhecidas, simples Companheiros do momento e até Presidentes de Autarquias, que não nos conheciam e se tornaram tão simpáticos e amigos!
Continuem a gostar de nós, visitando-nos e divulgando aos Familiares e Amigos.
Temos esperança que o futuro será melhor e tudo faremos para que esta página vos agrade!
Desculpem lá qualquer coisita e… Sejam Felizes!

O Grupo Familiar “Caramulinha” agradece a todos!

Secreto Leitor


No silêncio da noite é que eu te falo
Como através dum ralo
De confissão.
Auscultadores impessoais e atentos,
Os teus ouvidos são
Ermos abertos para os meus tormentos.

Sem saber o teu nome e sem te ver
- Juiz que ninguém pode corromper -,
Murmuro-te os meus versos, os pecados,
Penitente e seguro
De que serás um búzio do futuro,
Se os poemas me forem perdoados.


Miguel Torga

quarta-feira, 8 de abril de 2009

A Páscoa em Portugal

Costumes e Tradições – Província do Minho.

« No Minho, tradicionalista e Católico, a Páscoa é a maior festa do ano.
Chega como uma bênção de felicidade e alegria para ricos e pobres.
O minhoto vive nela os melhores dias do ano.
A Páscoa proporciona-lhe os momentos mais alegres da sua vida, inspira-lhe os maiores gestos de piedade e de crença, ensina-lhe as mais belas atitudes de generosidade e de fraternidade. E até nas preocupações de limpeza e de aceio que lhe merece, ela é a festa grande. O minhoto prepara-se para o gozo da Páscoa limpando o corpo, limpando a casa, limpando a alma. Os “deveres da alma” merecem-lhe particular cuidado.
No “confesso” quaresmal das freguesias minhotas, para a desobriga católica, os padres não têm mãos a medir. O «seu» abade lá está à espera deles, severo e implacável, de lápis em riste sobre o rol, esperando que todos cumpram a sua obrigação e tragam a frase sacramental: « Senhor abade, risque-me!» E que o não façam… Aos “maçons” não vai a Cruz a casa, o que vale, na Freguesia, pelo teor dos atestados de mau comportamento.

Domingo de Ramos é a porta aberta para esta semana de encantos e de religiosidade.
Os altares cobrem-se de roxo. Benzem-se simbólicos ramos de oliveira e folhas de palma, de que o povo supersticiosamente se apossa como dum talismã.
Nas trovoadas valem como a melhor das orações a Santa Bárbara. A bênção dos ramos é seguida de missa solene com o canto do texto da Paixão.
Apagados e diferentes decorrem no Minho Segunda e Terça-feira Santas. Apenas as solenidades da Igreja, nos centros mais populosos, trazem à lembrança dos fiéis as derradeiras lutas de Cristo com os judeus e as intrigas diabólicas de Caifás.
Quarta-feira acendem-se os círios para ofício de trevas, com “matinas” e “laudes”, que começa a meio da tarde e se prolonga pela noite adentro. Na Igreja… quando o último lume se apaga e o silêncio pesa mais profundamente na atmosfera e se esvaem as ultimas lamentações do cantochão, a garotada irrompe num barulho infernal de maçanicos, latas e matracas, que se precipita, através das portas escancaradas, numa gritaria insuportável. Curiosa e ridícula rememoração dos insultos atirados sobre o pálido Jesus, na casa de César, em Jerusalém!

Quinta-feira de Endoenças, se na aldeia minhota decorre suave e sem brilho, nas cidades e vilas é o dia solene de visita às Igrejas, em piedosa romagem de ver-a-Deus, pois manda a tradição católica que os fiéis visitem neste dia sete Igrejas, para comemorar os sete passos de Jesus a caminho do Calvário; os outros em deleitosa romagem de ver mulheres.
É dia de penitência e de jejum.
Evocam-se as recordações da última ceia do Senhor, da instituição da Eucaristia e da traição de Judas Iscariote.
É ao fim da tarde que o movimento se acentua, agitando uma multidão bem trajada e circunspecta. Os pais de família, contagiados pela doçura que transparece em todos os rostos, esquecem os pesados encargos que contraíram para porem na rua a família nas condições requeridas pelas circunstâncias.

Sexta-feira de Paixão passa com serenidade. É de luto pesado pelo Senhor-Morto!
É o dia do enterro do Senhor, da Adoração da Cruz, da desnudação dos altares.
Nas torres dos campanários os sinos emudecem. A sombra da Cruz, símbolo do Amor, de sacrifício e de redenção, projecta-se sobre a turba contristada e enlutada a abençoar e a remir…
Sábado de Aleluia abre ao Sol da manhã, primaveril e farto, como uma alvorada gloriosa. Repiques festivos dos sinos das torres altas, os bons-dias fraternais e amigos, começa o minhoto a sua feira da Páscoa, abundante e rica. O mercado anima-se, numa larga exposição de fartura pascal, enquanto por várias ruas, os espantalhos dos Judas, caricaturais e ridículos, estoiram, alçando nos ares grandes labaredas de fumo.
Dão-se e recebem-se folares: pão-de-ló, roscas de trigo alvo, caixas de amêndoas pintalgadas, bolos saborosos…

Domingo de Páscoa, dia de Cruz na aldeia, é o grande dia do ano, o maior, o dia solene para o lavrador minhoto. Enchem-se as casas de alegria e de fartura, à espera da bênção do senhor abade. A meio da sala, caiada de fresco, está posta a mesa do folar. Sobre ela estende-se a melhor toalha guardada zelosamente no fundo do arcaz da roupa, para esta cerimónia, luzente de goma, roçando pelo soalho os penduricalhos de renda. No centro uma maçã cheirosa ou laranja vermelha. Outros põem ovos e doces, que os mordomos recolhem em cestos enfeitados, para eles e para o senhor abade.
Toda a família se reúne para beijar a Cruz processional que o mordomo sorridente passa de boca em boca, enquanto o senhor abade espalha água benta.
Por sobre os carros de mato, estendidos à porta do lugar, espalham-se montões de verdura fresca, ramos de mimosas cheirosas, de eucalipto, rosmaninho ou funcho.
Nas casas fidalgas o abade é recebido com pompa e “chieira” e um grande estendal de coisas ricas e boas.
E o abade satisfeito, louvando o tempo e as mercês do Criador, depois de benzer toda a casa – os soalhos de castanho, as camas altas de pau-preto, os oratórios, as salas e os corredores longos e asseados – senta-se para dar dois dedos de palestra, entre duas dentadas saborosas e dois goles de vinho…

Acompanham o abade, o “mordomo” da Cruz, apoiando o crucifixo de prata da paróquia sobre todo o braço esquerdo; o “mesário”, com a caldeira de prata da água benta; mais dois ou três “campónios”, carregando os cestos dos ovos, os sacos dos folares e a campainha, quando não são, em alguns casos, as mais lindas moças da freguesia vestidas à lavradeira…
A Páscoa no Minho é uma festa enternecedora e santa. Que alegrias e consolações ela não trás ao lavrador minhoto, que lida heroicamente de sol a sol, durante um ano inteiro, em luta constante com a terra quase sempre ingrata e dura!
Basta-lhe um dia – Domingo de Páscoa festivo e grande – para o consolar duma vida de trabalho e de incertezas.»

Texto (resumo): José Crespo

Quantos de nós, ao lermos esta narração de há algumas décadas atrás, do grande médico e escritor José Crespo, se irão recordar como era, até na infância, a semana da Páscoa lá na terra, com seus costumes e tradições d’outros tempos!...
Cabrito ou borrego criado durante o ano, nesta altura é rei à mesa!
Para os que vivemos nos grandes centros urbanos, os actos da comemoração da Páscoa foram, de um modo geral, sempre mais simples e sem grandes mordomias.
Alguém me disse um dia:
- Páscoa é pão-de-ló e amêndoas!...
- Páscoa é muito mais do que isso, ora pensa melhor ... respondi-lhe.
É uma festa Religiosa que nos envolve espiritualmente, relembrando, segundo a Bíblia Sagrada, a morte de Jesus para salvação do homem e o milagre da sua Ressurreição.
Mas é também o reunir à volta da mesa toda a Família (infelizmente muitos já não têm) num convívio salutar e fraternal, que deveria continuar ao longo de toda a Vida!

À sua maneira, cada qual festeja a Páscoa como lhe ensinaram e quase todos nesta ocasião tratam de dar o melhor que podem aos seus filhos, lembrando também os familiares e amigos.

A todos, desejamos uma Santa e Feliz Páscoa,
com a Graça de Deus!

domingo, 5 de abril de 2009

PONTE DE LIMA (1)

A mais antiga Vila de Portugal comemorou 884 anos

Nasci a beira do Rio Lima
Rio saudoso, todo cristal
Daí a angustia que me vitima
Daí deriva todo o meu mal.

Por toda parte que tenho visto
Por toda parte por onde andei
Nunca achei nada mais imprevisto
Terra mais linda nunca encontrei!

António Feijó

Algumas semanas atrás, líamos uma reportagem no JN , escrita por L. Oliveira, com referência às comemorações do 884º Aniversário de Ponte de Lima, considerada a Vila mais antiga de Portugal.
Para além de relembrar este facto, chamou-nos à atenção esta notícia, porque algumas personalidades públicas foram distinguidas, entre a quais, uma figura limiana muito importante e respeitada nesta terra, o Sr. Cardeal Saraiva, tendo sido inaugurada uma estátua de bronze em sua honra, da autoria do artista local Salvador Vieira, e cujo acto foi presidido pelo Presidente da Câmara, Daniel Campelo.
No seu discurso realçou que «(…)não nos revemos nos valores do materialismo sem princípios e sem fronteiras, mas nos reais valores do trabalho, da terra, da natureza e da família!».
- Assim fosse sempre e por toda a parte! - acrescentamos nós.
Mas, o que nos apraz registar, ao lermos esta noticia da cerimónia em causa, foi ter sido distinguido com medalha de mérito (entre 11 homenageados, como o Poeta vianense Couto Viana) uma pessoa que durante mais de 25 anos esteve, julgamos que com todo o mérito, à frente da RTAM “Região de Turismo do Alto Minho”, tendo sido um incansável dinamizador e porque não, um sábio propagandista para todo o Mundo das riquezas patrimoniais edificadas e da beleza natural de que a província do Minho é deveras fértil.

Estou a referir-me ao Dr. Francisco José Torres Sampaio que, nos nossos tempos, ainda não descortinamos até hoje, quem divulgasse o Minho e com tanta paixão descrevesse de forma mais sábia e poética, todas as suas Cidades, Vilas, Aldeias, Lugares, Monumentos, Serras, Rios, o Mar Lusitano e sem nunca esquecer as suas gentes!
Alcunhado de “O Fidalgo Galego”quando um dia referiu que a fronteira Norte era um acaso político, exemplificando assim as potencialidades do mercado turístico conjunto do noroeste peninsular, proferiu a frase: «…Portugal nasceu aqui e é preciso que tenhamos brio nisso…», o mesmo respondeu a quem o alcunhava: «…sou galego, do rio Douro e Cávado para baixo são mouros…», brincava assim com a sua identidade, para chamar a atenção das potencialidades turísticas do Norte de Portugal e da Galiza.
Vai para duas décadas que já líamos com atenção as suas crónicas com descrições cheias de encanto e cativados pela beleza das suas fotos, por varias vezes nos deslocamos a tantos locais do Minho, de que a Vila de Ponte de Lima é um apaixonante exemplo.

Continua…

PONTE DE LIMA (2)

A mais antiga Vila de Portugal comemorou 884 anos

SÊ BENVINDO A ESTAS TERRAS LIMIANAS

Surpreso ainda de emoção
Tua primeira impressão
Foi de assombro!
Tua expectativa
Uma agradável e curiosa realidade
Com a terra e suas gentes.

Vila amuralhada de granito vestida
PONTE DE LIMA tem muito que te mostrar!
Em cada silhar, em cada pedra carcomida
Cruzeiro ou solar
Ecoa a história, a tradição e a Vida!

Antes, porém, enche-te deste verde
Verde-oiro, verde-rama, verde-rio!

E vamos partir por aí fora
Nesta geografia de verde
Neste verde sonhar de tantos Amores
Acariciar rosas modernas
Furtar beijos, colher flores!

Vamos ver ruelas sossegadas
Casas solarengas, varandas alpendradas
O arremedo da “vaca das cordas”
Descantes e cantigas
As tendas das Feiras Novas!

- Anda, bebe uma malga deste vinho saltarelho!
- Prova do “rei” sarrabulho, os rojões, os fígados, os miúdos!

E já ao fim da tarde
Do alto do Monte da Madalena
Contempla a magnitude do Vale,
A fidalguia das terras ribeirinhas:
Correlhã, Fontão, Bertiandos; Santo Ovidio
E no dobrar da cumeada
A Serra D’Arga, a Senhora do Minho!

Ao fundo
Fica a Vila velhinha de séculos.
O “Rio saudoso todo cristal”
O renque de plátanos, a Senhora da Guia,
As torres da Matriz, da Misericórdia,
A Capelinha do Anjo da Guarda!

A velha Ponte Medieval!

Chegam rumores de trindades!...

É o desmaiar do dia, o cair da noite.
Uma noite de luar silenciosa e branda,
A cheirar a feno perfume de campo!

Fica-nos a saudade…
E a nostalgia do verde-rio da alma limiana!

Texto da autoria de Francisco Sampaio

Depois destas sensibilizantes palavras, quem é que não vai conhecer Ponte de Lima?!
Desde então, quantas vezes visitamos esta fascinante terra, em passeios ou nas caminhadas da Ecopista e Lagoas de Bertiandos, bem como a “Mesa dos 4 Abades” em Refoios e os Percursos na encosta da Serra D’Arga…

Vem logo à memória as etapas do Caminho de Santiago (Barcelos / Ponte de Lima / Valença).
E aqueles banhos no imponente Rio Lima? E o arroz de sarrabulho?

Ficou-nos aquela saudade que nos empurra para voltar outra vez!

Deus queira que sim!