terça-feira, 19 de maio de 2009

25 de Abril 2009 Mondim de Basto (3)

Caminhada do Dia da Liberdade

Poesia de Mondim de Basto

“Liberdade, Tormento, Lei e Fatalidade”

“Liberdade”
Palavra
Antónimo
Da escravidão;
Quem a tem
Que a preserve
E não faça do cativeiro
Um pátio de emoção…

“Tormento”
Da “Liberdade” e
Companheiro fiel
Da tortura e da
Violência física!

“Lei”
Regra obrigatória
Terrena ou divina
Em volta da qual
Giram todas as emoções…

“Fatalidade”,
Acto dependente
Da maldição…
Prevê desgraça!

Poema de José Teixeira da Silva


Fotos da Caminhada (C)




Aos nossos visitantes, pedimos desculpa pelo atraso na publicação destas novas notícias.

Até breve!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

19-04-2009 Trilho Chã da Franqueira (1)

5 km / Circular – Arga de Baixo (Caminha)
Rede de Percursos Pedestres Valimar

O “Trilho da Chã da Franqueira” é um percurso pedestre denominado de Pequena Rota (PR) – as respectivas marcação e sinalização obedecem às normas internacionais.

O Clube Celtas do Minho em colaboração com a Câmara Municipal de Caminha, traçou este trilho para dar a conhecer parte do elevado e rico património histórico e natural da Serra d’Arga, de modo a conservá-lo e protegê-lo.

Partindo da Igreja de Arga de Baixo, contornamos o cemitério e seguimos por um trilho que atravessa uma pequena mancha de carvalhos seguindo um regato que vai desaguar no ribeiro de S. João.

Este trilho, que nos oferece vistas panorâmicas da Serra d’Arga, termina no lugar de Lapeir. De seguida, continuamos por um caminho empedrado que dá lugar a um velho caminho de lajes, bem marcado pela passagem dos carros de bois.

Este antigo e bem conservado caminho leva-nos a visitar lugares, de singular beleza, onde a arquitectura popular das casas encontra-se em completa harmonia com a paisagem que nos rodeia.

Pelo mesmo caminho, somos conduzidos a espaços naturais únicos e, junto de uma bela mancha de seculares sobreiros, destacam-se as Quedas de Água das Penas, no Ribeiro da Arga.

Este caminho, que nos permite observar os campos agrícolas trabalhados em socalcos, para um melhor aproveitamento da água, termina no pequeno lugar do Castelo, junto à ermida de culto à Sr.ª da Rocha.

Adeus Senhora da Rocha
Inda lá hei-de tornar;
Deixei lá meu lenço branco
Dobrado no seu altar.
(Cancioneiro Serra d'Arga)

Deste local, seguimos por um trilho de pastores que, ascendendo, nos levará a cruzar a pequena Chã da Franqueira.

Terminamos no lugar das Castinhas, muito próximo do local onde teve início este pequeno e fácil percurso no seio da Serra d’Arga.

Texto: Folheto descritivo do Percurso / Clube Celtas do Minho

Continua…

19-04-2009 Trilho Chã da Franqueira (2)

5 km / Circular – Arga de Baixo (Caminha)
Rede de Percursos Pedestres Valimar

A Serra d’Arga

Lenda da Serra d’Arga

Foi numa manhã de Primavera, quando o Egica e a Eulália fugiram a cavalo para longe de Ervígio, pai de Eulália e rei visigodo em Espanha, pois este queria que a sua filha casasse com Ramismundo, um guerreiro temido. Os dois fugitivos foram Ter ao Monte Medúlio, nome dado pelos romanos à Serra d’Arga, ao Mosteiro Máximo, onde chegaram já com os últimos raios de sol a desaparecerem no horizonte. Aí foram recebidos por um velho amigo do pai de Egica, que, após uma breve meditação, os casou secretamente. No dia seguinte, mandou-os à presença de uma dama que vivia num castelo próximo e prometeu enviar um mensageiro a Ervígio, anunciando-lhe que tinha feito o casamento entre Egica e sua filha, para ver qual era a sua reacção.
Passados alguns tempos, o monge foi ao castelo dar ao casal a resposta de Ervígio, o qual lhes perdoaria e os receberia se, dentro de um ano, lhe dessem um filho varão, nomeando Egica, seu sucessor.
Porém, antes de partirem, baptizaram a Serra, que então acharam maravilhosa, com o nome de Serra d’Arga, porque Eulália achava-a parecida com uma enorme agra, isto é, um grande campo fértil e cultivado.

O Mosteiro de S.João D’Arga

No meio da encosta, próximo ao Ribeiro de S. João, vislumbra-se na contemplação dum olhar ao infinito, o Mosteiro ou Convento de S. João d’Arga. Não se sabe ao certo a data da sua fundação.
Os mais antigos registos atribuem a sua fundação a “SISEBUTO I” piedoso e destemido senhor da Península, entre os anos 612 a 621.
Escritos do arquivo do Reverendo Padre Carvalho da Costa, consta que esta Ermida foi mandada (re)construir por S. Frutuoso, Arcebispo de Braga, no ano de 661. Esta data é baseada numa descrição esculpida numa padieira da Igreja. Nas inquirições de 1258 surge a primeira referência histórica a este mosteiro, onde se lê «el Rey nom e padrom» ou seja, não pertença de el-rei.
Já mais tarde, no reinado do Rei Lavrador e inquirições de 1282, decretadas por este, vê-se no rol das igrejas do Padroado Real, que está escrito precisamente o contrário: «Monasterium de Sancto Johanne d’Arga, est regis», ou seja, já pertencia ao Rei.
O mosteiro de S. João d’Arga, surge também sobre a regência do Bispo de Tui, inserido no nosso território, tendo D. Dinis mandado pagar uma taxa de 100 libras a este mosteiro, quantidade essa bastante alta para a época, comparada com outras igrejas em regiões mais populacionais e mais importantes.
Em 1364 ainda havia monges, da Ordem de S. Bento (Beneditinos) mas o isolamento e a luta contra a rudeza agreste da serra fez acentuar a sua decadência. No reinado de D. Manuel II foi doado à Ordem de Cristo, com o rendimento de 37 ducados.
Todavia, por volta de 1515, já se encontrava em total abandono.
Nos “censos” de D. Frei Baltasar Limpo, este mosteiro é mencionado, esclarecendo que sendo em tempos pertença de sua Alteza Real, estava agora na posse do Marquês de Vila Real.
Também não é certa a data aquando da cessação da actividade de culto religioso neste mosteiro, tendo passado para a reitoria, sedeada onde é hoje o lugar de Felgueiras, desta Freguesia de Arga de S. João, visto que a igreja do mosteiro ficava algo longe da povoação.
Os Inquéritos Paroquiais de 1758 separam a freguesia do mosteiro. (…)

Hoje, este lugar é um dos mais visitados por Caminheiros, Turistas, Romeiros, Peregrinos, etc...

A grande Festa/Romaria ao S. João d'Arga, acontece todos os anos a 28 de Agosto.

Textos: (resumo) Compilação baseada em pesquisas “Serra d’Arga / Mosteiro de S. João d’Arga”

Continua…

19-04-2009 Trilho Chã da Franqueira (3)

5 km / Circular – Arga de Baixo (Caminha)
Rede de Percursos Pedestres Valimar

Notas Finais

Este percurso, embora de distância curta, é duma beleza deslumbrante, com lugares bucólicos.
Necessita de limpeza e remarcação, que em grande parte já desapareceu. No estado actual, e para quem se guia por mapa, é necessário conhecer bem a zona e alguns pontos de referência importantes. Para os Caminheiros com GPS e de coordenadas certas, não há qualquer problema, como é óbvio.
Espere por um dia lindo, com muito solzinho, e se possível após ter chovido bem, pois sem o precioso liquido a correr com fartura no Ribeiro da Arga, as espectaculares Quedas das Penas não têm a mesma beleza nem se ouvirá tão bem aquela canção sussurrante das suas águas a precipitarem-se pelo desfiladeiro do seu curso.
Na ponta final, após o ascendente até à Chã da Franqueira, delicie a vista com o Vale e os rebanhos a pastar, qual quadro retemperador e divinal.
No Lugar das Castinhas, é agora altura de retemperar forças e tomar uma bebida fresquinha na Taberna do Horácio, e um pequeno bate-papo com o Sr. Horácio. Perguntamos pela situação actual da fauna da Serra d’Arga, ele nos disse que (…) ainda um dia destes atravessou um corso na estrada mais ali adiante e há quem diga que tem visto ao longe o “misterioso” Lobo da Serra d’Arga, pese embora ele agora já não se aventure a descer cá abaixo às Argas.
- Sabe? (diz o Sr. Horácio) mudou muita coisa por aqui nos últimos vinte anos. A arte do pastoreio já rareia. As pessoas têm poucos animais. Só têm o essencial, embora haja um ou outro que ainda vai tendo mais cabeças, nomeadamente ovinas, o certo é que com a caça aos corços, lebres e coelhos, o lobo não tem que comer e só se safaria com os rebanhos domésticos. Mas, isso, os pastores nem querem ouvir falar de tragédias que voltariam a acontecer se viessem para cá introduzir lobos para repovoar a Serra d’Arga.
Ás primeiras mortes que acontecessem, sem compensações pelas perdas, os lobos vindouros seriam logo abatidos. A vida está muito dura. Não dá para contemplações do Povo que já sofreu muito nesta Serra, que se diz “santa” mas muito agreste!
Mas há a beleza da Serra, Vales e ribeiros e os garranos para ver! (…)

Continua…

19-04-2009 Trilho Chã da Franqueira (4)

5 km / Circular – Arga de Baixo (Caminha)
Rede de Percursos Pedestres Valimar

O LOBO IBÉRICO

Cabra morta há duas semanas faz renascer a esperança na sobrevivência
do Lobo Ibérico

Uma simples frase dita por um pastor de uma aldeia na Serra d'Arga foi suficiente para fazer esquecer um dia inteiro de insucesso na procura de indícios da permanência do lobo ibérico naquela zona do Alto Minho.
"Um lobo matou-me uma cabra há duas semanas", afirmou o pastor, que nem imaginava a alegria que a "desgraça" trouxe ao biólogo Francisco Álvares, que estuda a alcateia de Arga há cerca de uma década e não esconde a sua preocupação com o futuro desta população de lobos.
Esta frase, acompanhada por vários pormenores que atestavam a sua veracidade, foi o primeiro indício seguro de que o lobo ibérico continua presente na Serra d'Arga e foi suficiente para fazer regressar a esperança depois de um dia inteiro de procura de animais sem sucesso.
Uma vez por ano, mais ou menos nesta época, Francisco Álvares percorre demoradamente cerca de duas dezenas de caminhos na montanha, alguns quase intransitáveis, mesmo para um jipe, na tentativa de encontrar vestígios da existência do lobo ibérico, o último grande predador da fauna ibérica.
A uma velocidade máxima de 20 quilómetros por hora, com os olhos sempre atentos ao solo e com paragens obrigatórias em todos os cruzamentos, locais onde habitualmente os lobos deixam dejectos para marcar território, a tarefa prolonga-se durante todo o dia, do nascer até ao pôr-do-Sol.
Antigamente, quando os indícios eram muitos numa determinada zona, o biólogo regressava à noite para uivar, o que lhe permitia estabelecer contacto com a alcateia e, em alguns casos, ver os lobos.
Francisco Álvares regressou este ano à Serra d'Arga com a esperança alimentada por algumas notícias de avistamentos nos últimos meses, mas consciente de que a situação desta alcateia é muito grave.
"Ainda há lobos na serra, mas são tão poucos que é muito difícil encontrar indícios numa área tão grande", avisou o biólogo, logo no início da jornada, para evitar expectativas demasiado elevadas.
Em Junho, um lobo foi avistado nas imediações de Montaria, tendo sido visto pelos ocupantes de cinco carros que passavam na estrada, e isso era suficiente para manter viva a esperança na sobrevivência desta espécie na zona mais perto da costa atlântica de que há conhecimento na Europa.
"Não há lobos por aqui há muito tempo"!
Depois de percorrer os caminhos da Serra de S. Paio, nas imediações de Caminha, sem qualquer resultado positivo, o jipe do biólogo entrou na Serra de Santa Luzia, perto de Viana do Castelo, onde pastam cerca de 400 cavalos selvagens (garranos), que são o principal alimento dos lobos.
As expectativas foram, no entanto, limitadas logo no sopé da serra, quando um pastor deixou clara a situação actual: "Não há lobos por aqui há muito tempo."
As horas seguintes vieram confirmar esta informação, apesar de terem sido percorridos alguns dos locais onde, há alguns anos atrás, era fácil encontrar vestígios da passagem dos lobos.
Na Serra d'Arga a situação repetiu-se, tendo um habitante da aldeia de Arga de Cima assegurado que "agora não há lobos", perante o desalento do biólogo, só comparável à satisfação dos habitantes por já não terem a "companhia" dos animais.
Arga de Cima é uma localidade com uma grande ligação a estes animais, tendo mesmo baptizado a travessia de um ribeiro como "Pontão do Lobo", numa alusão ao facto de ser um antigo local de passagem das alcateias.
O último ataque de lobos nesta aldeia ocorreu há cerca de quatro anos e, desde essa altura, não houve mais notícias deles.
"Não vejo lobos há muito tempo, mas é capaz de ainda haver alguns lá em cima [na serra] porque às vezes aparecem algumas "ossadas", afirmou um caçador, que se apressou a garantir que, apesar de ser proibido, não terá problemas em abater um lobo.
O desânimo de Francisco Álvares pela falta de indícios acabou pouco depois, quando falou com um pastor da aldeia de Cerquidos, que afirmou ter perdido uma cabra há cerca de duas semanas.
O mesmo pastor assegurou ter visto "um lobo grande" em finais de Julho, explicando detalhadamente o local onde o viu e qual o caminho que o animal seguiu.
Alguns minutos depois, em conversa com um fiscal de caça, os dados foram confirmados quando ele disse ter visto pegadas de "um animal grande" praticamente na mesma altura e na mesma zona em que o pastor tinha visto o lobo. O fiscal ainda disse ainda ter tido conhecimento do desaparecimento recente de duas ovelhas pertencentes a um pastor da aldeia de Montaria.
Num dos últimos caminhos de montanha percorridos nesse dia, o biólogo encontrou os primeiros dejectos de lobo, com a particularidade de se encontrarem na zona onde o pastor de Arga de Cima disse ter visto um animal.
Minutos depois, na vertente sul da Serra d'Arga, foi encontrado o maior "tesouro" do dia: um excremento de lobo com apenas um ou dois dias, onde eram visíveis os pelos da cabra que deve ter comido recentemente.
"Ainda há esperança, eles ainda andam por aí", afirmou Francisco Álvares, visivelmente satisfeito com o achado.

Texto: Francisco Ribeiro (Lusa) 2003

Continua…

19-04-2009 Trilho Chã da Franqueira (5)

5 km / Circular – Arga de Baixo (Caminha)
Rede de Percursos Pedestres Valimar

Poesia Serrana

Quadras ao S. João d’Arga

Eu hei-de ir à romaria
Ao Senhor S. João d'Arga;
A romaria é boa,
Mas o caminho amarga.

Senhor S. João
Que estais no altar
Abri-nos as portas
Queremos entrar!

Ó meu Senhor S. João
Casai-me que bem podeis
Já tenho teias de aranha
Naquilo que bem sabeis.

No altar de S. João
Nascem rosas amarelas,
S. João subiu ao Céu
A pedir pelas donzelas.

Ó meu Senhor S. João
A vossa capela cheira;
Ela cheira ao lavado,
É brio da lavadeira.

Ó meu Senhor S. João,
Dai-me a mão pela janela;
Eu venho tão cansadinha
De subir a vossa serra.

Ó meu Senhor S. João,
Onde foi aparecer!
No alto da Serra d'Arga,
Onde todos o vão ver.

Ó meu rico S. João
Onde te foram pôr!
No meio da Serra d'Arga
Com sobreiros ao redor.

Ó Senhor S. João d'Arga,
Donde vens todo molhadinho?
Venho do alto da Serra
De regar o cebolinho.

Ó Senhor S. João d'Arga
Eu este ano lá hei-de ir,
Ou casada ou solteira
Ou criada de servir.

Ó meu Senhor S. João
Vou vos dar a despedida:
Para o ano venho cá
Se me correr bem a Vida!

Versos: Cancioneiro da Serra d’Arga

sábado, 2 de maio de 2009

Dia da Mãe - 2009

A MULHER DO PEDRO

Aquela barraca da encosta sempre me feriu. Um dia, meti-me por um carreiro e fui lá ter. À porta, muito lixo. Cascas de batatas, restos de lenha, papéis, cacos e cagadinhas dos filhos.
Dentro, só duas tarimbas. Os pais dormem numa, com os filhos de colo. Na outra – uma ninhada de quatro. E a um canto, o lume.
Há nesta família, sempre de pé, dois grandes problemas: o sustento dos filhos, com a magra jeira do pai e a ida à escola dos maiores.
O Pedro, quando a mulher deu à luz o segundo, disse-lhe meigamente que era bom não ter mais. Ela que sim. Não queria ofender a Deus e no fim de contas ELE havia de ajudar. Agora, porém, quando o Pedro lhe fala, fica muito triste, a pensar no pão e nos farrapos dos filhos.
Quem avalia a heroicidade desta mulher?
Oitenta por cento das pessoas chamam-lhe tonta!
E a escola? Os mais velhos querem ir à escola…
Os mais novos não podem ficar sozinhos…
O marido quer as sopas a tempo…
Será este o prémio que uma mãe recebe, por dar seis Portugueses à sua Pátria?
Quanto valem seis Portugueses?

Texto: Telmo Ferráz