terça-feira, 9 de setembro de 2008

07-09-2008 Rio Douro - Porto

Red Bull Air Race

Olá
No passado Domingo, 07 de Setembro, o Grupinho da “Caramulinha” fez parte do milhão de pessoas que assistiram no Rio Douro, margens do Porto e Vila Nova de Gaia, ao grande espectáculo RED BULL AIR RACE, essa nova modalidade desportiva traduzida numa competição aérea, onde os pilotos de aviões que chegam a ultrapassar os 400 km hora, tentam fazer o percurso mais rápido e com o mínimo de penalizações, desafiando a gravidade.

Para nós, que até gostamos da pacatez, das coisas mais naturais e menos arriscadas, até que foi “bue de fixe” assistir - para variar um pouco e não perder a oportunidade de ver ao vivo os melhores pilotos do Mundo da especialidade - este espectáculo que aqui se repete pelo segundo ano consecutivo e atrai milhares e milhares de pessoas à nossa linda cidade.

Doze pilotos participaram na prova, que começou no sábado com eliminatórias, e a classificação final ditou os três mais rápidos desta prova a subirem ao pódio:

1º - 1m.07s.00c – Hannes Arch
2º - 1m.08s.06c – Kirby Chambliss
3º - 1m.08s.49c – Mike Mongold

À parte da competição, também adoramos o show protagonizado pelos caças da força aérea, os lentos e mais suaves “albatroz”, a demonstração de resgate de naufrago pelos fuzileiros Portugueses a bordo de um helicóptero “Linx” mas, acima de tudo, a esquadra de acrobacias “Breitling Jet Team” a arrasar os céus.

Tal como foi pedido pelas Autarquias, Entidades Organizadoras e de Segurança, também nós deixamos a viatura bem longe e fizemos uma curta caminhada de 2 km até ao Rio Douro.

Gostamos, porque é um raro e belo espectáculo ao ar livre, ficando-nos a sensação que com esta adorável paisagem ribeirinha e uma moldura humana num ambiente assim tão colorido, a competição até que cai para segundo plano.

Passamos um dia diferente, embora no final as pernas estivessem mais cansadas do que numa caminhada, pois, são algumas horas de pé e sem sair praticamente do lugar, ali mesmo debruçados sobre o místico Rio Douro.

Foi a pensar em quem não pode estar presente, que deixamos com alguma brevidade estas palavras e fotos (com a qualidade possível) como é obvio.

Obrigadas, V.N. de Gaia e Porto.
A “Caramulinha” agradece, “carago”!

sábado, 6 de setembro de 2008

09-08-2008 Ocidental Praia Lusitana Nº 5 (1)

Caminha –V.P. Âncora 9km / linear
Rota dos “Fortes”

Olá, Amiguinhos

Num dia a prometer calor, raiando logo pela manhã a estrela solar, regressamos às caminhadas pelas praias da costa Portuguesa.
Desta vez, resolvemos percorrer alguns quilómetros entre Caminha e Vila Praia de Âncora.

Para tal, deslocamo-nos no comboio da Linha do Minho, de vistas paisagísticas agradáveis que vão surgindo mais verdejantes já por terras do Concelho de Barcelos.
Entre as diversas estações e apeadeiros o comboio vai transpondo pequenas pontes sobre os rios Neiva e Cavado.
Antes do túnel de Tamel, desperta alguma curiosidade para quem for com atenção, o antigo reservatório de água, exemplar único nesta linha e tem capacidade para 150 mil litros. Noutros tempos, as antigas locomotivas a vapor faziam deste o principal ponto de abastecimento.
Depois, surge Viana do Castelo, onde estaremos este ano, se Deus quiser, na grandiosa Romaria da Senhora d’Agonia, onde já não vamos há mais de dez anos.
Em Viana, o comboio entra pela ponte rodo-ferroviária sobre o estuário do Rio Lima e atravessa a cidade, parando entre o antigo edifício da estação e um moderno shopping.
Conforme se afasta para norte, surgem as paisagens deslumbrantes da costa Portuguesa e logo se vislumbram as praias da Areosa e do Carreço, avistando-se ao longe o farol de Montedor. Depois vem Afife e logo a seguir passa uma pequena ponte sobre o Rio Âncora, entrando nesta Vila por entre o casario para uma nova paragem.
Momentos depois o comboio arranca e em pouco tempo aproxima-se da Praia do Moledo, dizendo adeus ao mar e aos rochedos espumados pelas ondas, podendo ainda ver-se, numa das raras abertas e de relance, ao longe, o Forte de Ínsua, próximo à foz do Rio Minho.

São dez horas e o comboio pára em Caminha, para desembarcarmos.
Lê-se num elegante guia turístico editado pela Câmara Municipal que «… Caminha enlaça-nos num autêntico “mosaico de paisagens”, com vegetação exuberante, águas cristalinas dos Rios Minho, Coura e Âncora.
As encostas deslumbrantes abraçam várias freguesias, nascidas sobre o vale da harmoniosa Serra d’Arga…»

Depois do pequeno almoço num café do centro desta Vila Medieval, saímos pela torre e calcorreamos algumas das suas ruas estreitas onde, das suas casas, se debruçam os varandins enfeitados de flores. Ainda fomos contemplar algum do seu monumental património, que é deveras riquíssimo.


Continua…

09-08-2008 Ocidental Praia Lusitana Nº 5 (2)

Caminha –V.P. Âncora 9km / linear
Rota dos “Fortes”


A Caminhada

Iniciamos pela muralha seiscentista que nos leva à beira rio e já o ferry-boat partia na direcção da outra margem, no sopé do Monte de Santa Tecla, lembrando-nos daquele dia que o subimos, desde o cais em La Guardia.
Esta paisagem ribeirinha sobre o internacional e imponente Rio Minho é extraordinária de beleza.

Mil metros percorridos ao longo da marginal, depois pelo antigo Areinho da Torre e já estávamos na Mata do Camarido, zona verde envolvente à praia que acolheu o Parque de Campismo.
Verificamos a construção de novos passadiços nesta zona que proporcionam melhores acessos a Turistas e Caminheiros, embelezando mais este local.
A “Caramulinha” agradece estas novidades turísticas.

Um pouco mais à frente decorria uma aula de “fitness” em grande estilo.
Pelos antigos passadiços entravamos definitivamente no areal, para agora, descalços e já com protector solar, caminharmos a nosso belo prazer pelas Praias da Foz do Minho, do Moledo e de Vila Praia de Âncora.

Da Ponta do Cabedelo à Ponta da Ruiva, a praia já se compunha de banhistas e transeuntes que se exercitavam e banhavam nas gélidas águas do Oceano Atlântico.

Para traz íamos deixando o Pinhal do Camarido e avistávamos numa pequena ilha rochosa entre as águas o Forte de Ínsua, antiga fortaleza defensiva da costa, construído em 1652.
O mar desfazia as ondas espumosas sobre os nossos pés.
Agora, do lado esquerdo e lá ao longe, a mística Serra d’Arga, no alto do Cristelo a cerca de 700 m de altitude, espreita-nos no sopé dos seus montes, entre os velhos moinhos e hortas de cultivo.

Argas de Cima e de Baixo são lugares que proporcionam aos Pedestrianistas pelo menos quatro maravilhosos Percursos Pedestres.
Prosseguindo pela areia macia, as pessoas cruzavam-se connosco, caminhando e relaxando nestas maravilhosas praias, onde ainda hoje, o “sargaceiro” recolhe as algas (Gigartinales:Carragenófitas/agarófitas) com a “graveta”uma espécie de ancinho, e as coloca a secar ao sol. Aproveitamento natural que a mãe Natureza oferece.

Já vem de longe esta actividade de recurso suplementar na orla costeira. Dos séc.XVII ao XIX a apanha das algas nesta região, ao contrário do resto do litoral, não era livre e os apanhadores obedeciam a ordens, nomeadamente dos Frades do Mosteiro Franciscano de Insua, que viviam com dificuldades económicas e a quem tinham de entregar esmolas pela apanha das algas de Segunda a Sábado. Aos Domingos e dias Santos não podiam exercer a actividade, que era totalmente proibida às mulheres. Ao contrário de antigamente, que só serviam para fertilizar os campos de cultivo, hoje são empregues em produtos medicinais e servem também para temperos culinários.

Depois dos areais do Moledo e Santana, surgem os rochedos que assumem formas exóticas e harmoniosas que só o Mar sabe esculpir.

Deixamos os rochedos e as poças e inflectimos para um velho caminho das dunas que os Peregrinos percorrem até à Capelinha de Santo Izidoro e Santiago.

Chegávamos a V.P.Âncora, já no final desta rota entre os “Fortes”, entrando pelo Bairro dos Pescadores.
Até ao Forte da Lagarteira foi um pulinho e terminamos este agradável percurso junto ao Portinho das embarcações piscatórias.
Fomos ao “Veleiro” almoçar um agradável peixinho, visitando depois esta pacata Vila e a restante e prolongada tarde ficou reservada para “uma prainha” na Foz do Rio Âncora.

Continua…

09-08-2008 Ocidental Praia Lusitana Nº 5 (3)

Caminha –V.P. Âncora 9km / linear
Rota dos “Fortes”


Vila Praia de Âncora

«...Antiga, como o provam os constantes achados pré-históricos e proto-históricos, Âncora deve o seu nome ao rio que, nascendo no sítio das Bezerreiras na Serra d'Arga, já nos limites da freguesia de S. Lourenço, os celtas e depois os romanos chamaram respectivamente de "Spaco" e os segundos à sua foz "Vicus Spacorum", ou seja, terra ou herdade dos "Spacos".

Este rio, cujas margens, açudes e engenhos são de extraordinária beleza, era muito mais caudaloso na antiguidade, sendo a sua foz próxima do Forte do Cão e navegável até cerca de dois quilómetros.
Sujeito a frequentes incursões de piratas marítimos, as comunidades viram-se obrigadas a refugiar-se nos vários ramos ou projecções, quer do Monte de Santa Luzia, quer da Serra d'Arga. Conforme atestam os vestígios da cultura castreja encontrados no monte da Cividade, as ruínas do Convento de Bulhente e a Ermida de S. Pedro de Varais, etc., sendo de presumir que o mesmo tenha acontecido até finais do século XVII, altura em que D. Pedro II decidiu pôr-lhes cobro, mandando construir os Fortes do Cão e da Lagarteira.

O nome primitivo de Âncora era o de "Balthazares", comemorativo de uma célebre batalha entre lusitanos e romanos (os lusitanos chamavam a uma batalha "azar" e do mesmo modo como hoje, apelidamos a esta região "Vale do Âncora", os lusitanos diriam "Vale de Azare" donde derivaria mais tarde "Baltazar", sendo a capelinha de S. Brás, ainda existente, a Igreja Matriz primitiva. Porém, e já em 563, esta povoação era chamada de Santa Maria de Vilar do Âncora, conforme se pode comprovar pela doação que o rei Suevo Theodomiro fez da quarta parte dos rendimentos da igreja ao Bispo de Tuy, doação essa que em 3 de Setembro da era de 1163 (1125 D.C.) a Rainha D. Teresa confirmou a seu filho D. Afonso Henriques. No século XIV desmembraram-se da freguesia de Santa Maria de Vilar de Âncora as de Gontinhães (actual Vila Praia de Âncora) e Riba de Âncora, tornando-se independentes.

Região notável, cheia de raridades históricas, campo vasto para os arqueólogos, com monumentos imprescindíveis para o conhecimento do período magalítico - Dólmen da Barrosa e a Cividade, perde-se a sua história na noite dos tempos …
Texto (resumo) Arquivo RTAM

Continua…

09-08-2008 Ocidental Praia Lusitana Nº 5 (4)

Caminha-V.P.Âncora 9km / linear
Rota dos “Fortes”



As algas

Quanto tempo vogaram, embaladas
No seio profundíssimo do Mar…
E, ao rolá-las na praia, a soluçar
Fica a onda de as ver abandonadas.

A novo beijo da água, de mansinho
As algas se insinuam, no desejo
Saudoso de voltar; e, num arpejo,
Despede-as o Mar, devagarinho…

Fonte de vida eterna, inexaurível,
Sendo só com a vida compatível
- A esse grande túmulo: a Terra,

Voragem pertinaz, assustadora,
Vai o Mar rejeitando, hora por hora
Mortes que fez, as mortes que ele encerra
.

Poema de António Carneiro

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Nota da Autoria do Blogue


Olá
Temos recebido alguns comentários a posts colocados neste blogue e algumas mensagens por email de simpatia e encorajamento para continuar este nosso contacto (dentro das nossas possibilidades) com os Amantes do Pedestrianismo, da Natureza e do Património edificado deste nosso Portugal.
O Sr. Armando Pinto deixou um comentário referente a um post da caminhada em Felgueiras no dia 04 de Maio, onde abordáramos, à posteriori, a “Rota do Românico”.
Fizemos uma simples compilação de textos sobre três monumentos (um deles o Mosteiro de Pombeiro) inseridos geograficamente nessa rota turística, dando apenas o nosso testemunho por já termos visitado esses monumentos e que servem sempre como sugestão para quem lê estas mensagens.

Por entendermos que estes comentários deste visitante do nosso blogue merecem uma apreciação mais atenta, para que todos leiam e meditem nestas suas palavras, julgamos merecer um destaque transcrito num post.

Mensagem de Armando Pinto:
«Li agora uma mensagem colocada no texto sobre o Românico, no caso de Felgueiras (um post de Maio) e curiosamente sei algo sobre aquela igreja, que depois foi substituída por outra. Aliás eu fui o autor do artigo referido, publicado no jornal Semanário de Felgueiras, há alguns anos. Antes mesmo a antiga igreja de S. Cristóvão de Lordelo já em tempos foi referida pelo Dr. Pedro Vitorino no boletim do Douro Litoral, já clamando por sua salvação nos idos de 40 e tal, do séc. XX.
Agora questiona-se, com tanta pompa oficial sobre a tal rota do Românico do Vale do Sousa, para tapar olhos: Como pode estar a situação ainda pior, em pleno séc. XXI?»

Pela nossa parte, recordamos mais uma vez aquelas palavras com que terminamos essa descrição dos monumentos:

...Sempre que poderem visitem estas “Maravilhas de Portugal”, testemunhos que os nossos antepassados deixaram, lendo em cada um o “mistério” que a sua construção nos transmite, quase sempre sinónimo de grandeza e épocas prósperas de antigas gerações, para hoje usufruirmos, admirarmos e acima de tudo preservarmos a fim de que possam chegar às gerações futuras em óptimo estado de conservação.


Obrigada!
A “Caramulinha” agradece
os vossos comentários e críticas,
construtivamente.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

02-08-2008 O “Trilho do Bosque Secreto”

7 km / circular

Olá

Neste Verão, nas tuas merecidas Férias, escolhe um dia belo e na companhia de quem gostas, de quem amas, faz a tua caminhada preferida, aquela que há muito tempo vens adiando, que vens sonhando ser aquele caminho escondido, que mais ninguém conhece…
E então, depois, feliz, guarda como se fora um poema, bem fechado, no teu coração!

Não digas nada!

Não digas nada!
Nem mesmo a verdade.
Há tanta suavidade
Em nada dizer
E tudo se entender.
Tudo metade
De sentir e de ver…
Não digas nada
Deixa esquecer.

Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem.
Até onde quis
Ser quem me agrada…
Mas ali fui feliz
Não digas mais nada!

Como o vento da Floresta

Como um vento na Floresta.
Minha emoção não tem fim.
Nada sou, nada me resta.
Não sei quem sou para mim.

E como entre os arvoredos
Há grandes sons de folhagem
Também agito segredos
No fundo da minha imagem.

E o grande ruído do vento
Que as folhas cobrem de som
Despe-me do pensamento:
Sou ninguém, temo ser bom.

Eu amo tudo o que foi

Eu amo tudo o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já não me dói,
A antiga e errónea fé.

O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria,
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.

Poemas de
Fernando Pessoa


Loucos

Nós somos loucos, não somos?
Desta louca poesia,
Desta riqueza dos pobres
Que se chama “Fantasia”!

Beijinhos