domingo, 13 de setembro de 2009

15-08-2009 Ocidental Praia Lusitana Nº 6 (4)

Viana »»» V.P. Âncora - 13km / linear
Percurso Pedestre “Mar, sal e vontade”


Poesia

O Mar

Como o vosso, também meu pensamento
Voga, Amigos, nas ondas, sem parar;
E mais que a vós a mim o largo Mar
Contou o seu segredo e entendimento.

Como as gaivotas erra nas procelas
E nas águas dormentes da acalmia,
Sobre toda a tormenta ou calmaria
Bate as asas minh’alma ou solta as velas…

Nada me disse o Mar que eu não soubesse,
Qualquer segredo que eu não conhecesse,
Na perfeita e imutável comunhão

No acordo misterioso e surpreendente
De duas naturezas que irmãmente
Sentem pulsar o mesmo coração…

Poema de António Carneiro

Ao Mar

Água, sal e vontade – a vida!
Azul – a cor do céu e da inocência.
Um lenço a colorir a despedida
Da galera da ausência…
Mar tenebroso!
Mar fechado e rugoso
Sobre um casto jardim adormecido!
Mar de medusas que ninguém semeia,
Criadas com mistério e com areia,
Perfeitas de beleza e de sentido!
Vem a sede da terra e não se acalma!
Vem a força do mundo e não te doma!
Impenitente e funda, a tua alma
Guarda-se no cristal duma redoma.
Guarda-se purificada em leve espuma,
Renda da sua túnica de linho.
Guarda-se aberta em sol, sagrada em bruma,
Sem amor, sem ternura e sem caminho.
O navio do sonho foi ao fundo,
E o capitão, despido, jaz ao leme,
Branco nos ossos descarnados;
Uma alga no peito, a flor do mundo,
Uma fibra de amor que vive e treme
De ouvir segredos vãos, petrificados.
Uma ilusão enfuna e enxuga a vela,
Uma desilusão a rasga e molha;
Morta a magia que pintava a tela,
O mesmo olhar de há pouco já não olha.
Na órbita vazia um cego ouriço
Pica o silêncio leve que perpassa…
Pica o novo feitiço
Que nasce do final de uma desgraça.
Mas nem corais, nem polvos, nem quimeras
Sobem à tona das marés…
O navio encalhado e as suas eras
Lá permanecem a milhentos pés.
Soterrados em verde, negro e vago,
Nenhum sol os aquece.
Habitantes do lago
Do esquecimento, só a sombra os tece…
Ela que és tu, anónimo oceano,
Coração ciumento e namorado!
Ela que és tu, arfar viril e plano,
Largo como um abraço descuidado!
Tu, mar fechado, aberto e descoberto
Com bússolas e gritos de gajeiro!
Tu, mar salgado, lírico, coberto
De lágrimas, iodo e nevoeiro!

Poema de Miguel Torga

Aqui está-se sossegado

Aqui está-se sossegado,
Longe do mundo e da vida,
Cheio de não ter passado,
Até o futuro se olvida.
Aqui está-se sossegado.

Tinha os gestos inocentes,
Seus olhos riam no fundo.
Mas invisíveis serpentes
Faziam-na ser do mundo.
Tinha os gestos inocentes.

Aqui tudo é paz e mar.
Que longe a vista se perde
Na solidão a tornar
Em sombra o azul que é verde!
Aqui tudo é paz e mar.

Sim, poderia ter sido...
Mas vontade nem razão
O mundo tem conduzido
A prazer ou conclusão.
Sim, poderia ter sido...

Agora não esqueço e sonho.
Fecho os olhos, oiço o mar
E de ouvi-lo bem, suponho
Que veio azul a esverdear.
Agora não esqueço e sonho.

Não foi propósito, não.
Os seus gestos inocentes
Tocavam no coração
Como invisíveis serpentes.
Não foi propósito, não.

Durmo, desperto e sozinho.
Que tem sido a minha vida?
Velas de inútil moinho —
Um movimento sem lida...
Durmo, desperto e sozinho.

Nada explica nem consola.
Tudo está certo depois.
Mas a dor que nos desola,
A mágoa de um não ser dois
Nada explica nem consola.

Poema de Fernando Pessoa

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Dia Europeu do Pedestrianismo

Amanhã, dia 12 de Setembro de 2009, Federações, Clubes, Associações e praticantes não federados em geral, comemoram neste velho Continente o DIA EUROPEU DO PEDESTRIANISMO.
Por todas as regiões do País terão lugar caminhadas e diversos Eventos para assinalar este dia.
Interprete este nosso alerta como chamamento para iniciar (se não pratica qualquer desporto tem uma nova oportunidade) e lembrete (se já costuma caminhar) para que amanhã faça uma caminhada, pelas imediações de onde habita mas, se possível, seria mais agradável se o fizer em pleno contacto com a natureza, por exemplo, nas maravilhosas Serras de Portugal.

Aqui recordamos, uma vez mais, alguns conselhos que gostamos de dirigir aos nossos Amigos, com a única finalidade para que pratiquem esta “fantástica modalidade” chamada PEDESTRIANISMO:

Dá uma oportunidade ao teu coração.
Sente-te mais útil conhecendo e divulgando a beleza que o nosso País encerra.
Vem desfrutar da Natureza na companhia de quem amas e dos amigos.
Muda o teu comportamento passivo.
Evita aumentar o teu peso.
Esquece o envelhecimento.
Esmaga o vazio da solidão.
Aumenta a confiança em ti próprio.
Vais ver que te sentes melhor logo a seguir ao 1º passeio.
Sobre o nosso País, não te julgues de todo conhecedor e informado.
Com este exercício moderado vais descobrir paraísos escondidos.
Se poderes, muda a rotina dos dias de descanso.
Altera os teus hábitos de vida.
Não sintas o tempo a passar.

Com os teus olhos e pelos teus próprios pés, irás verificar que o PEDESTRIANISMO é um fantástico desporto que pode ser praticado por TODOS !!

Afinal, é tão importante manter o vigor do corpo, para conservar o do espírito!

Para breve, novas notícias dos “Passeios da Caramulinha”.

Beijinhos

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

09-08-2009 Fundação de Serralves (1)

Olá Amigos!

No passado dia 9 de Agosto resolvi aceder ao convite do Serviço Educativo da Fundação de Serralves, onde todos poderiam participar num conjunto de actividades de diversão, como as oficinas móveis para as crianças construírem imaginativos papagaios de papel, desenhos e montagens, conversas de museu entre famílias, assim como os percursos pelo deslumbrante parque de Serralves.

Sendo assim, fomos à descoberta.
Eis alguns temas (Calendário da Instituição) que fazem parte do rol de actividades à disposição de quem adere a este Evento ao longo dos diversos dias, que vai desde 4 de Julho e se prolonga até 27 de Setembro.

CONVERSAS NO MUSEU

O que podemos esperar de uma colecção de arte na actualidade? Vamos debater respostas e caminhos possíveis a partir da exposição da Colecção da Fundação de Serralves: entre pintura, escultura, fotografia, filme, instalação e desenho, a diversidade é a palavra-chave e o fio condutor desta conversa. Sábado às 17h00 e Domingo às 12h00 Ponto de encontro: recepção do Museu (duração: 1 hora)

PERCURSOS NO PARQUE

Entre cores, formas, texturas, sons e cheiros, vamos conhecer a biodiversidade do Parque de Serralves em passeios que exploram os diferentes sentidos.Domingo às 11h00 Ponto de encontro: recepção do Museu (duração: 1 hora)

A ARQUITECTURA DE ÁLVARO SIZA

Vamos conhecer em detalhe o projecto do Museu de Serralves, numa visita dinâmica que fornecerá pistas para uma melhor compreensão e interpretação do espaço projectado por Álvaro Siza. Domingo às 15h00 Ponto de encontro: recepção do Museu (duração: 1 hora)

FUNCIONAMENTO

Estas actividades são gratuitas mediante aquisição de bilhete de entrada na Fundação de Serralves. Por questões de controlo de lotação é necessário solicitar um bilhete (gratuito) para as actividades na recepção do Museu.
Relembramos que ao Domingo até às 14h00 a entrada é livre.

Continua…

09-08-2009 Fundação de Serralves (2)

Domingo, 9 de Agosto 2009

Programas em Família

OS PAPAGAIOS EM VIAGEM…

Cortar, desenhar, colar, agrafar materiais variados para criar formas inesperadas que resultassem da fértil imaginação dos seus autores, os mais importantes deste Mundo, as CRIANÇAS.
No final, o vento fez voar os seus papagaios no céu de Serralves, sobe a orientação dos coordenadores do “Catavento Projectos Educativos”.

Nesta manhã de Domingo, já cheguei um pouquinho tarde para assistir à construção e lançamento dos papagaios de papel pelas famílias participantes, onde as crianças foram os principais artistas, dando largas à sua imaginação.
Percorri os Jardins de Serralves, caminhando lentamente e contemplando os cantinhos deslumbrantes, como o roseiral, o jardim das cameleiras, das gramíneas, a zona das azinheiras e arboretos exóticos.

Inicialmente, demora-se o olhar pelo Central Parterre e vamos espreitar a Escola de Jardinagem dos “Ginkgos”. Depois, desci o caminho até ao Lago e desviei para o Prado e aos espaços da “Quinta”, onde alguns animais pastavam calmamente.
O tempo voava e seguia agora pela extensa Rua de Bartolomeu Velho, para ir admirar a área de cultivo das Plantas Aromáticas e a estufa.
Chegavam as 14.00h e há que cumprir o horário estipulado para encerramento ao Público.

Este agradável passeio valeu mesmo a pena.

Continua…

09-08-2009 Fundação de Serralves (3)

História desta Instituição

A Fundação de Serralves está localizada no Parque de Serralves na cidade do Porto em Portugal, onde está instalado o Museu de Arte Contemporânea de Serralves e a Casa de Serralves.
A Fundação de Serralves foi criada em 1989, sendo o resultado de uma parceria entre o Governo Português, instituições públicas e privadas e particulares.
Originalmente espaços de habitação, privados e exclusivos, a Casa e o Parque são a expressão do desejo e a realização do sonho de Carlos Alberto Cabral (1895-1968), 2º Conde de Vizela.
Concluída em 1940, a Casa de Serralves foi mandada construir pelo segundo Conde de Vizela, Carlos Alberto Cabral. Até à abertura do Museu de Arte Contemporânea, em 1999, a Casa de Serralves acolhia as exposições realizadas pela Fundação. O edifício, cujo projecto final é da autoria do arquitecto português Marques da Silva, é considerado um exemplo único da arquitectura Art Déco em Portugal.
Em 1996, a Casa de Serralves foi classificada como imóvel de interesse público devido ao seu interesse arquitectónico.
O Parque de Serralves resulta de processos de desenho de uma paisagem ao longo de mais de um século, constituindo uma unidade temporal e especialmente complexa: vestígios de um jardim do século XIX, Quinta do Mata-Sete, Jardim da Casa de Serralves, paisagem do Museu de Arte Contemporânea de Serralves.
O projecto para o jardim da Casa de Serralves foi encomendado pelo Conde de Vizela ao arquitecto Jacques Gréber em 1932.

Texto: Wikipédia, a enciclopédia livre

Continua…

09-08-2009 Fundação de Serralves (4)

Recordações de 2006 da “Caramulinha”

Serralves em Festa – 40 Horas “non stop”

Este ano, o programa decorreu nos dias 30 e 31 de Maio e, como sempre, com dezenas de eventos agendados, onde participam Companhias de renome Nacional e Internacional. Infelizmente, nem sempre é possível estarmos presentes nestes eventos desta instituição, que para nós são quem organiza o maior festival de expressão artística contemporânea em Portugal, com uma duração de 40 horas consecutivas e com actividades para todas as famílias e para todas as idades.
Deixamos aqui algumas recordações de 2006, um programa fantástico de dias maravilhosos que jamais esqueceremos!

Visitem esta Fundação que promove e incentiva as pessoas para um melhor conhecimento da Arte, da cultura geral e da diversão teatral e musical.

40 Horas “non-stop” 3 e 4 de Junho 2006



quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O Sal da Língua

Escuta, escuta: tenho ainda
uma coisa a dizer.
Não é importante, eu sei, não vai
salvar o mundo, não mudará
a vida de ninguém - mas quem
é hoje capaz de salvar o mundo
ou apenas mudar o sentido
da vida de alguém?
Escuta-me, não te demoro.
É coisa pouca, como a chuvinha
que vem vindo devagar.
São três, quatro palavras, pouco mais.
Palavras que te quero confiar,
para que não se extinga o seu lume,
o seu lume breve.
Palavras que muito amei,
que talvez ame ainda.
Elas são a casa, o sal da língua.

Poema de Eugénio de Andrade