Rede de Percursos Pedestres de Tondela
Não digas o que sabes nos teus versos,
O vento vem aí
Poemas de António Quadros (Santiago de Besteiros)
Na zona fica igualmente a Fraga dos Mouros, espécie de gruta cavada no granito que segundo a tradição serviu de refúgio.
Os últimos metros foram percorridos em ascendente até à EN que, atravessando, chegávamos novamente ao Santuário.
Num dos bancos que ladeiam o pátio descansamos e lanchamos fatias de piza com atum e salsicha, acompanhadas de refrescante verdinho e frutas, “abastecimento” que ficou dentro da mala do carro, na arca com gelo.
Relaxávamos assim, desta agradável caminhada, ali sentados, contemplando a paisagem, ouvindo o canto das aves e do vento.
Continua…
Seis pessoas de meia idade cruzaram-se connosco, cumprimentando-nos e foram juntar-se a outras quatro que estavam sentadas à porta de uma habitação em cavaqueira.
Mas, meu Deus, onde estão as crianças, que não vemos uma sequer na rua a brincar?
A resposta era nos dada um pouco mais adiante, já na subida para o alto da Serra de Sendim da Serra: outra antiga escola primária foi adaptada para Turismo Rural!
Para onde caminhas, Portugal? Para a velhice?! E o equilíbrio humano, etário e social?
A manhã continuava algo fresca, com o céu encoberto e este ascendente até ao alto da serra foi percorrido com agrado, pois enquanto se caminhava desfrutava-se de uma paisagem sempre deslumbrante, embora predominantemente castanha pela secura das terras. A falta de água nestas regiões é um problema social muito sério e periclitante.
Caminhávamos agora pelas alturas da serra e surge-nos, lá detrás dos penedos, dois cães pastores guiando um rebanho de cerca de 100 cabras, de cor homogénea cinzenta, e logo localizamos o pastor lá atrás, entre elas.
De regresso ao caminho que inicialmente subíramos, descíamos agora até Gouveia, serena Aldeia que visitamos com mais calma, para depois descansar e lanchar à sombra de seculares sobreiros, regressando posteriormente ao Parque de Campismo e à sua convidativa piscina municipal.
Gouveia
«A freguesia de Gouveia encontra se a sete quilómetros de Alfândega da Fé e tem como anexa o lugar de Cabreira. Situa-se na encosta sul da Serra com o mesmo nome, que abriga a povoação dos ventos de leste e nordeste. Segundo o Padre Francisco Manuel Alves, em "Memórias Arqueológico Históricas do distrito de Bragança", o seu nome deriva do antigo verbo `gouvir', que significa `gozar'. Não é credível tal definição toponímica, a não ser pelas questões paisagísticas que se podem desfrutar a sul, na encosta que dá para o rio Sabor...
No entanto, a transformação em concelho medieval só aconteceu com a carta de foral de D. Dinis, datada a 8 de Maio de 1294, o qual viria a ser confirmado por D. Manuel, em 1510. Em 1320 o mesmo rei D. Dinis mandou reconstruir o seu castelo, que era anterior ao primeiro foral e provavelmente construído pelos mouros. Este castelo desapareceu com o tempo.