domingo, 16 de agosto de 2009

18-07-2009 PR12 Terras de Bouro (4)

Trilho dos Moinhos de Santa Isabel do Monte
Rede de Percursos Pedestres “Na senda de Miguel Torga”


Mosteiro de Santa Maria do Bouro

O Mosteiro de Santa Maria do Bouro foi edificado no lugar outrora habitado por eremitas, e cuja região foi doada por D. Afonso Henriques em 1148, aos monges beneditinos, mais tarde monges de Cister.
Estes monges actuaram na defesa da fronteira da Portela do Homem, durante a crise iniciada em 1383, com a morte do rei D. Fernando. Por não ter herdeiros masculinos, sua filha D. Beatriz, casada com o rei de Castela, reclamou o trono português, mas isso significava a perda da independência.
Face à possibilidade de subirem ao trono, o filho do Rei D. Pedro I e Dª Inês de Castro, a viver em Castela, ou D. João, Grão-Mestre de Aviz, filho de D. Pedro I e da aia de Inês de Castro, Teresa Lourenço, optou-se pelo segundo, mas originou uma guerra com Castela.
A intervenção dos monges, travando o avanço das tropas castelhanas, granjeou-lhes o apoio real, o que levou à prosperidade do mosteiro.
Esta prosperidade foi-se esbatendo ao longo dos anos e no século XVI, apresentava um estado ruinoso, levando, através da Congregação Autónoma Portuguesa, à realização de obras de recuperação que incluiu novas decorações em talha e azulejos.
Com a extinção das ordens religiosas, em 1834, o mosteiro foi abandonado e mais tarde vendido em hasta pública, mas em 1986 parte do mosteiro foi adquirida pela Câmara Municipal de Amares. Está classificado como Imóvel de Interesse Público e actualmente funciona nele uma pousada com 32 quartos, restaurante, bar e esplanada e piscinas para adultos e crianças.
Texto: http://www.guiadacidade.pt/portugal

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18-07-2009 PR12 Terras de Bouro (5)

Trilho dos Moinhos de Santa Isabel do Monte
Rede de Percursos Pedestres “Na senda de Miguel Torga”


O Garrano do Gerês

De pequena estatura, cor castanha, membros robustos e curtos, perfil côncavo e pescoço grosso adornado por uma densa crina o Garrano é provavelmente um representante longínquo da fauna glacial do fim do paleolítico. Hoje os exemplares que vivem em estado selvagem são poucos e a raça está classificada como ameaçada.
Nas encostas mais inóspitas do Parque Nacional da Peneda Gerês um grupo de garranos pasta calmamente. A presença de estranhos faz com que o macho relinche e o grupo se afaste. Os potros acompanham a mãe de perto e o macho de orelhas arrebitadas mantêm-se atento. É ele que zela pela coesão do grupo e o homem e o lobo são os seus principais inimigos.
A raça garrana é uma das três raças de cavalos autóctones da Península Ibérica. Originária da fauna glaciar Paleolítica e representante do cavalo do tipo Celta das regiões montanhosas do Nordeste Ibérico, vive actualmente em estado semi-selvagem.
O cavalo garrano foi domesticado há vários séculos e estava perfeitamente integrado na vida rural do sistema agrícola de minifúndio no noroeste português. A mecanização da agricultura provocou o desinteresse dos criadores e o retorno dos animais para as zonas de montanha em regime livre. Nas primeiras décadas do século passado, com a submissão das serras portuguesas ao regime florestal, o garrano quase chegou a desaparecer.
Em 1945, por determinação do sub-secretário de Estado da Agricultura, são seleccionados 21 garranos, do efectivo pecuário local, e libertados no vale do Homem, entre as serras Amarela e do Gerês. O objectivo era fomentar a criação de reservas de animais autóctones em todos os perímetros florestais onde isso fosse possível. Alguns dos animais não se conseguiram adaptar, o que tornou necessário efectuar sucessivas aquisições até obter um núcleo de animais tipicamente serranos.
As razões que levaram à constituição do núcleo de garranos nem sempre foram bem compreendidas. Várias vezes tentaram eliminar os cavalos, alegando que evadiam as pastagens destinadas ao gado doméstico e que prejudicavam a flora do Gerês. Mas a eliminação do núcleo de garranos geresiana não se chegou a verificar e em 1970, quando foi criado o Parque Nacional da Peneda Gerês, Lagrifa Mendes defendeu activamente as razões da sua existência. O último grupo de garranos selvagens do Parque Nacional viu assim preservada a sua existência.
Mas no Parque Nacional da Peneda Gerês existem outros garranos, que vivem em regime de semi-liberdade e têm dono. Os criadores particulares deixam os cavalos pastar em liberdade na serra durante todo o ano. Por volta dos dois anos os poldros são capturados e vendidos. Para a maior parte deles, o destino é o talho.
Nas últimas décadas os criadores começaram a libertar no monte outras raças de cavalos. O resultado foi inevitável - os garranos puros começaram a rarear.
Em 1994, o Serviço Nacional Coudélico define o padrão da Raça Garrana e inicia-se o Registo Zootécnico. Nesse mesmo ano a raça é classificada pela União Europeia como “raça ameaçada” e coube à Associação de Criadores de Equinos de Raça Garrana recuperar a raça do perigo de extinção. O Registo Zootécnico permitiu realizar a caracterização zootécnica e determinar o seu efectivo e a sua área de dispersão. Actualmente estão registados cerca de dois mil indivíduos - 1500 adultos e 500 poldros - dispersos por dezassete concelhos nas províncias do Minho e Trás-os-Montes.
Para José Vieira Leite, da Associação de Criadores de Equinos de Raça Garrana, “ a sistemática aferição dos cavalos Garranos ao Padrão traduz-se nas principais característica somáticas da raça.” Mas é preciso fazer mais para preservar a raça. “É necessário diversificar a utilização da raça numa perspectiva de adaptação do potencial do cavalo Garrano a novos utilizadores”. O garrano tem um elevado potencial como raça vocacionada para o turismo e escola de equitação. A exploração do turismo equestre nas regiões de montanha e o uso de garrano no ensino da equitação permite valorizar a raça e garantir o seu futuro.

Texto (Resumo): Anabela Moedas/Revista Ozono

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18-07-2009 PR12 Terras de Bouro (6)

Trilho dos Moinhos de Santa Isabel do Monte
Rede de Percursos Pedestres “Na senda de Miguel Torga”


Moleiro

Que força sincronizaste
Para que a mó que inventaste,
Gire ao segundo?

A telúrica levada,
Grão a grão, mói a fornada,
Sacia o Mundo!

Poema de Luís Jales de Oliveira

O Moinho

O moinho que a aldeia tem amado,
Embora no caminho da extinção,
Ainda mói o milho para o pão,
Embora já por poucos procurado.

O Moleiro, que nele vive, por paixão,
Procura tê-lo sempre conservado,
Com seu equipamento renovado,
Para o freguês servir com prontidão.

Porém, muitos moinhos se perderam,
E muitos estão quase destruídos,
Face ás fábricas que lhes sucederam.

É bom ver já alguns reconstruídos
E salvar os que muito já sofreram
Para fins culturais, bem definidos.

Poema de Albino Brito de Matos

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Murmúrios do Mar


«Paga-me um café e conto-te
a minha vida»

O Inverno avançava
Nessa tarde em que te ouvi
Assaltado por dores
O céu quebrava-se aos disparos
De uma criança muito assustada
Que corria
O vento batia-lhe no rosto com violência
A infância inteira
Disso me lembro.

Outra noite cortaste o sono da casa
Com frio e medo
Apagavas cigarros nas palmas das mãos
E os que te viam choravam
Mas tu, não, nunca choraste
Por amores que se perdem.

Os naufrágios são belos
Sentimo-nos tão vivos entre as ilhas, acreditas?
E temos saudades desse mar
Que derruba primeiro no nosso corpo
Tudo o que seremos depois.

«Pago-te um café se me contares
o teu amor»

Poema de José Tolentino Mendonça

sábado, 1 de agosto de 2009

04-07-2009 Rio Mau e Sebolido/Douro (1)

Caminhos da Moura Morta – 8Km / Circular

Olá Amiguinhos

Viemos hoje percorrer um improvisado e agradável trilho, por típicos caminhos de duas Freguesias das margens do histórico Rio Douro, cheias de vida e de lendas, inseridas no Concelho de Penafiel, do Distrito do Porto.

Iniciamos a caminhada pelas 10.00H, próximo da foz do Rio Mau, ao longo de um bucólico caminho na sua margem direita, denominado “Rua Marginal ao Rio Mau”, tomando a direcção à Freguesia de Sebolido. Este rio que emerge em fio cristalino, lá mais para Norte, no Monte Mosinho, das fragas que ladeiam o Castro da “Cidade Morta”, precipita-se por escarpas em puro riacho. Nestes últimos metros é inundado pelo “místico” Douro que, travado na Barragem de Crestuma, se espraia pelas margens dos seus afluentes. Continuando, surge uma pequena ilha, com barquinhos atracados ao redor. Lá no alto, avista-se a Igreja Paroquial.

Atravessando o Rio Mau pela ponte com tabuleiro de betão armado, fomos calcorreando por um suave ascendente, ziguezagueando pelos caminhos rurais. Depois de passarmos o Fontanário da Rua do Outeiro das Cruzes, o miradouro é um doce postal da Freguesia. Caminha-se agora pela calçada à Portuguesa da Rua do Vieiro com muros da pedra que se extrai na região.

Se à nossa esquerda chama à atenção o Parque Eólico que vai até à Serra da Boneca, o deslumbre, pese embora alguma névoa instalada, é do lado direito, na margem esquerda do Douro, bem lá no alto, o saudoso miradouro contíguo à Ermida do Monte de S. Domingos da Serra. Quantas vezes subimos aquela rude escarpa, começando pelos caminhos das Minas do Pejão, próximo da foz do Rio Arda!
Ainda agora, a magia do “carrilhão” daquela ermida chega aos nossos ouvidos.

Do lado de cá, pela Rua da Cavada, surge lá ao fundo a singela Capelinha do Senhor do Monte, construída em 1808. Já estamos em Sebolido. Seguiram-se momentos de contemplação, de descanso e de fortalecimento energético.
Daqui, vamos descer à Rua Nova e entrar na mata de pinheiros pelo velho caminho em descendente até chegarmos à EN108.
Pela calçada das Portelas, ladeada por esplendorosos campos de milho e ramadas de vinha, iremos dar ao centro da Freguesia. Mas, o Sol queimava agora um pouco mais e a fonte do “Tanque novo” foi um consolo! A Rua de S. Paulo, Orago e protector, leva-nos à Igreja Paroquial.

Depois de passar pelo Cemitério, efectua-se a descida em direcção à margem direita do Rio Douro onde tem lugar a faina da pesca á linha. Dizem que havia por aqui “linguetas” para os barcos poderem atracar quando no Verão o Douro levava pouco caudal. Outrora, antes da construção da Barragem, era possível caminhar bem junto ao Rio, pelo caminho ribeirinho até ao cais de Rio Mau. Hoje, resta talvez cerca de dois quilómetros daqui para montante e poucas centenas de metros para jusante, que não ficaram submersos. Neste bucólico lugar podemos ouvir o Douro e vislumbrar o S. Domingos lá longe, no horizonte.

Há que subir agora o caminho conhecido dos pescadores até á estrada e percorrer 1,5Km ao longo dela até à foz do Rio Mau. Paramos alguns momentos no Largo Américo Soares, contemplando do seu miradouro o Rio, os barcos e as Montanhas.

Terminada a caminhada, que teve a extensão de cerca de 8 Km e foi inspirada numa lenda, dirigimo-nos à churrasqueira da Foz, apetrechando-nos para rumarmos à praia fluvial de Melres, onde passamos uma saborosa e refrescante tarde.

Até à próxima! E Boas Férias para quem vai!

Continua…

04-07-2009 Rio Mau e Sebolido/Douro (2)

Caminhos da Moura Morta – 8Km / Circular

Freguesia de Rio Mau

Abraçada, a sul, pelo rio Douro e, a norte, pelo rio Mau, dista 27 quilómetros da sede do concelho e 32 da cidade do Porto.
O topónimo Rio Mau deriva, sem dúvida, do ribeiro algo avultado que, nascido ao norte, no castrejo monte Mosinho, aqui mesmo desagua no Douro.
Participando do senhorio das estirpes dos padroeiros do não longínquo mosteiro de Paço de Sousa, foi, desde antes da nacionalidade, da paróquia de Santa Eulália de Pedorido, apesar de situada na parte oposta do rio, em frente porém da igreja.
No princípio do século XIX, os habitantes do lugar de Rio Mau, separados do resto da freguesia pelo Douro, requerem à Coroa a inclusão de Rio Mau em Sebolido.
Rio Mau é a mais nova freguesia do concelho de Penafiel. Adquiriu autonomia em 1 de Janeiro de 1985. É hoje caracterizada pelo seu bairrismo dedicado à cultura e ao desporto.

Texto (resumo): Junta de Freguesia de Rio Mau

Freguesia de Sebolido

A freguesia de Sebolido situa-se a 20 km de Penafiel e a 30 km do Porto e é servida pela Estrada Nacional. Encontra-se na margem direita do rio Douro, em pequenas mas declivosas montanhas.
Em Sebolido existe a serra da Boneca, rica em minerais especialmente em quartzo, e a serra de Louseira, que tal como o nome indica é rica em lousa.
Esta freguesia foi separada da imediata freguesia de Canelas no fim de séc. passado. Pertenciam a Sebolido as pequenas aldeias de Abitureira e Rio Mau, ambas na margem direita do rio Douro. Actualmente Rio Mau é uma freguesia independente.
Na margem esquerda do rio, em Pedorido, freguesia à qual pertencia Rio Mau, existe a mina de carvão do Pejão onde antigamente trabalhava a maioria da população de Sebolido.
Sebolido é uma zona semi-rural visto que a população tem vias de comunicação com Porto e Penafiel e muitas pessoas trabalharem nessas duas cidades, no entanto, Sebolido é uma zona essencialmente agrícola.

Texto (resumo): Escola EB1-Sebolido

Praia Fluvial de Melres (Fotos)



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04-07-2009 Rio Mau e Sebolido/Douro (3)

Caminhos da Moura Morta – 8Km / Circular


Poesia

QUADRAS SOLTAS

Quem passa por Rio Mau
Sem querer tem de parar
Seu coração fica preso
Logo ao seu primeiro olhar.

Rio Mau por seres bonito
Há gente que te tem Raiva
Mas continuas sorrindo
Frente a Gondomar e Paiva.

A nossa Sobreira Bela
Um Rinque de Patinagem
Tudo pula, tudo brinca
Tudo em sã camaradagem.

Sobreira de Rio Mau
Com os teus carros de praça
Cada vez és mais bonita
Cada vez tu tens mais graça.

Rio Mau e Pedorido
São dois lindos Povoados
Vêem-se todos os dias
Parecem dois namorados.

Entre os dois existe um Rio
O segundo do País
Não é de Cobre nem Prata
Mas é Douro que se diz.

Versos de Ricardo Sousa cedidos por António Monteiro a Valdemar

Rio Douro

Meu Rio Douro, eras diferente.
Eras mais barulhento e caudaloso.
Eras o rio sempre impiedoso,
Quando levavas tudo, em tua frente.

Eras o Rio Douro temeroso,
Com as cheias que tinhas, anualmente,
Galeras que matavam, loucamente,
E teu fraguedo sempre perigoso.

Eras sempre o caminho apropriado,
Que teu barco rabelo, destemido,
Te subia e descia, carregado.

Eras também o Douro apetecido,
Por nos dares o teu peixe afamado,
Desde a lampreia ao sável conhecido.

Poema de Albino Brito de Matos

Continua...