terça-feira, 21 de dezembro de 2010

BOAS FESTAS



A todos desejamos umas Boas Festas. Tenham um Santo Natal e um Próspero Ano de 2011.

São os nossos sinceros desejos!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Conto de Natal - 2010

O Natal do Pastorinho

Serra acima, procurando evitar os tojeiros que lhe farpeavam os pés descalços dum roxo denegrido ou saltando de fraga em fraga com o auxílio do cajado, o Zé Enjeitado avançava seguido dócilmente do do rebanho. Era uma escassa dezena de ovelhitas que lhe tinham sido confiadas desde que, falecida a pobre mulher que o criara, o Tomé Ferrador o tomara ao seu serviço. «Que o cachopo calhara mal », era voz corrente no lugarejo: o ferrador não era dali, viera Deus sabe de onde; a mulher, se bem que menos enfarruscada, nem por isso tinha aspecto de mais asseio: a filha única - que ela pretendia educar «à fina» - era insuportável de vaidade e arrogância.
A tarde vinha já caindo e o pastorinho continuava a subir afastando-se do povoado. Na sua cabecita de dez anos, amadurecidos pela miséria e a solidão, atropelava-se um mundo de ideias. Porque era ele enjeitado quando todos tinham família?... Porque sofria fome quando a terra era tão grande e dava tanto pão?... Porque passava frio se havia tanta ovelhinha pela serra?... Porque não haviam os homens de repartir entre si?... Porque não morrera ele com a boa mulher a quem dava o doce nome de mãe?...
Morte... Vida...
Que significado teriam para o pastorinho estas duas palavras?
Morte... era o Céu?... Quem sabe... Da vida, porém, tinha ele bem clara noção: era a miséria, o sofrimento, o abandono.
Uma ansiedade imensa - nem ele sabia porquê - fazia-lhe bater desordenado o coração. A fadiga começava também a fazer-se sentir imperiosa, mas o pastorinho trepava sempre, descuidado das ovelhas que íam ficando para trás desgarradas.
Queria subir até à ermidinha branca cuja torre miniatural se avistava já contra a abóbada infinita dum tom de chumbo violáceo.
A atmosfera estava de facto carregada e não tardou muito que um relâmpago rasgasse o horizonte e logo se ouvisse o ribombar do trovão.
O Enjeitado assustou-se. Estava em pleno descampado, não se avistava sequer a mais humilde choupana. De novo se voltou para a ermidinha que o esfuziar do raio, agora seguido, parecia querer aniquilar.
A tempestade avançava rápida sobre a terra. Um trovão mais forte, que dir-se-ía abalar o solo até às entranhas, desorientou de todo o pequeno rebanho que abalou serra abaixo em busca do aprisco. E a água começou a cair e, logo em bátegas cerradas, fustigava e alagava tudo.
O pastorinho, a princípio, agachou-se junto dumas moitas, disposto a aguardar que o temporal passasse; mas pouco depois murmuradas algumas orações, que o povo por ali tinha inventado ou estropeado, obcecado pela ideia de alcançar a ermida tanto mais que naquela altura seria o abrigo mais próximo, lançou-se impetuoso na sua direcção.
As ovelhas não lhe davam cuidado: sabiam o caminho; e ele quase agradecia à Providência, embora a bem dizer por instinto, o motivo que lhe enviava de não voltar nesse dia para casa do Ferrador. De resto, seria para ficar sózinho, no curral, pois que lhe ouvira combinar, com a mulher e a filha, irem passar essa noite e o dia seguinte à cidade.
Noite de Natal... Dia de Natal...
Consoada... Missa, a linda «Missa do Galo», tudo isso acabara para ele - para sempre - com a morte da mãe adoptiva. Pois bem! Iria passar a sua noite de Natal à ermidinha, sob o pequenino alpendre que as heras, revestindo as pilastras e içando-se até ao telhado, tornavam ainda mais aconchegadinho.
E era forçoso que chegasse com dia para, pelo ralo da porta, consolar-se com a vista daquele quadro tão belo, por cima do altar, a representar Nossa Senhora com o Menino nos braços, e em jeito de lhO oferecer.
Quantas vezes, então, ela cerrava os olhos, cruzava as mãos abertas como a Senhora, e quedava-se com a sensação de ter ali o Menino e sentir contra o peito o calor do seu corpinho...
Mais um esforço, mais alguns passos, e o Zé Enjeitado atirava-se para dentro do minúsculo átrio da capelinha, enlameado, escorrendo por todos os lados e quase desfalecido. Volveu, no entanto, o olhar para a rótula da porta... Tudo estava, lá dentro, negro como breu...
Deixou-se então cair na laje alagada e os olhos fecharam-se-lhe pesadamente. Um bem-estar indizível, inexplicável, apoderava-se dele por completo.
Dormiu?... Sonhou?...
Sonho ou visão?...
A porta da ermida abria-se e a Senhora, sempre com o Menino nos braços, vinha convidá-lo a entrar e passar com Eles a festa do Santo Natal...
Na tarde do dia seguinte um velho pastor que por ali costumava vaguear deu com a porta toda aberta e, estendido ao pé do altar, tendo nos lábios um sorriso de inefável felicidade, o corpo do pastorinho.
E em substituição do cheiro a mofo que habitualmente emanava o interior da ermidinha, o perfume penetrante, delicioso das açucenas...

Autora: Maria de Freitas

domingo, 12 de dezembro de 2010

A Serpente na Montanha...



Um mar de montanhas

Ondulam numa Tempestade.

Ela serpenteia livre,

Pensa que está só,

Que o Mundo é seu.

Mentira!

É Breve Ilusão.

O Sol escalda,

O Vento sopra…

Ele sim, é livre.

Ela já o foi.

Homens Brutos,

Deixem-me em Paz!

Eu quero continuar

A serpentear…


Mara, 31/05/05

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Para os cegos cantarem ao Povo


Anda a raposa na vinha,
Comeu-lhe mais de metade.
Vê-se que é obra daninha
O mal que entrou na herdade!

Meteu-se o bicho na horta,
O cão finou-se de pena.
Ninguém connosco se importa,
Fazem a vista pequena.

Se a tempo não amparamos
O património em destroço,
Fica o arvoredo sem ramos,
Some-se a água do poço.

Foram p'ra mão dos ciganos
As nossas éguas e potros.
Bem mal nos correm os anos,
- Somos o riso dos outros!

Chegou a um ponto a desgraça
Que até os próprios vizinhos
Vêm roubar-nos a caça
Que nós matamos sózinhos!

A casa, posta a tormento,
Já nem a mesma parece:
- Levou-lhe as telhas o vento,
A madre à chuva apodrece.

E tanto o azar se encarniça
Que se isto assim continua,
Temos à porta a justiça,
Vai a família p'ra rua!

Antes que tal aconteça,
Salve-se o resto à fortuna!
Não precisamos cabeça,
Basta que o sangue nos una!

Quando a aliança é segura,
Vencem as forças mais raras,
Como os irmãos da Escritura
Viram no exemplo das varas!

Versos de António Sardinha

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

(Excerto: Invasões Francesas- Pedro Vitorino/1945)

1808 - O GRITO DA INDEPENDÊNCIA


JUNOT por ordens de Napoleão, concentrava as forças em Torres Vedras (...)




(...) Tornadas as montanhas de Tôrres, baluarte inexpugnável, a vitória estava assegurada!
Pela terceira vez no nosso território, Wellington media-se com os invasores. O vigor indómito do chefe anglo-luso lançá-los-ía definitivamente para longe das fronteiras. (...)

The Duke of Wellington

Um poeta do tempo - Frei António de Mozellos Costa, numa das suas «Lyras Patrioticas», em honra do imortal Wellesley, escreveu:

« Cantemos o Heroe, que sobre os gallos,
Peloiros despedindo dentre as Linhas
Da Gram Lisboa, assusta vis Franceses,
E torna-os de gallos em gallinhas:
Das vitórias o Anjo
Que diga já, se marmanjo
Ficou ou não, à vista do Britano»

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

GRANDE ROTA DAS LINHAS DE TORRES VEDRAS

Recebemos há alguns dias esta mensagem (Cátia Inácio - Sector Desporto/C.M.Torres Vedras) sobre o Evento "GRANDE ROTA DAS LINHAS DE TORRES VEDRAS" que pelo enriquecimento das suas componentes "Desportiva, Histórica e Cultural" e embora não podendo estar presentes, nos merece toda a consideração e desejo de que alcance as expectactivas desejadas de êxito, pelo que deixamos aqui aos nossos visitantes a "Divulgação":

Inauguração do Troço de Torres Vedras
12, 13 e 14 de Novembro
11ª Jornadas Nacionais de Pedestrianismo + 6 Passeios Pedestres + Geocaching
12 Novembro - XI Jornadas Nacionais de Pedestrianismo
13 e 14 de Novembro - Passeios de Inauguração

Passeio da Foz – 51 Km - 13 e 14 Novembro
Torres Vedras > Foz do Sizandro > Torres Vedras

Passeio da Serra do Socorro – 46 Km - 13 e 14 Novembro
Torres Vedras > Serra do Socorro > Torres Vedras

Passeio da Archeira – 24 Km
14 Nov. > Forte da Archeira – Torres Vedras

Passeio do Paço – 19 Km
14 Nov. > Forte do Paço – Torres Vedras

Passeio de S. Vicente – 14 Km
14 Nov. > Forte S. Vicente > Castro Zambujal – Torres Vedras

Passeio do Castelo – 11 Km
14 Nov. > Castelo de Torres Vedras > Forte da Ordasqueira – Torres Vedras

Geocaching
Rota do Castro do Zambujal

Inscrições:
- Passeio da Foz ou Passeio da Serra do Socorro – 15.00€
(Abastecimentos, Jantar, Pequeno Almoço, Almoço, Lembrança de Participação

- Passeio Archeira ou Passeio do Castelo ou Passeio do Paço ou Passeio de S. Vicente ou Geocaching – 7.00€
(Abastecimento, Almoço, Lembrança de Participação)

- Inscrições limitadas

- Data limite de inscrições: 9 de Novembro

Contactos:
CM Torres Vedras: percursospedestres@cm-tvedras.pt, 261320761
Bicentenário das Linhas de Torres Vedras: www.linhasdetorresvedras.com
Académico de Torres Vedras: geral@atv.pt
Associação Marchas e Passeios do Concelho de Torres Vedras: ampctv@gmail.com
Geocacherzone: www.geocacherzone.pt

Um pouco de História

(...) o exército francês invadiu de novo o país, pelo Norte, desta vez comandado pelo marechal Nicolas Soult, ocupando a cidade do Porto. Wellesley regressou a Portugal com tropas britânicas. Com o apoio de um exército português, reorganizado sob o comando do marechal William Carr Beresford, tendo atacado Soult e expulsado os soldados franceses de Portugal.
Determinado a vencer a Guerra Peninsular, Napoleão enviou o seu melhor marechal André Masséna, para que invadisse novamente o reino de Portugal, com 65.000 homens, em Setembro de 1810.
Entretanto, Inspirado nos trabalhos de José Maria das Neves, Arthur Wellesley enviou, a 20 de Outubro de 1809 um Memorando a Fletcher, mandando construir secretamente um conjunto de fortificações. O Memorando mandava reconhecer o terreno e fortificar os pontos mais convenientes e defensáveis, criando um sistema de defesa que viria a ser conhecido por Linhas de Torres Vedras - três linhas com um total de 152 redutos e 600 peças de artilharia, um sistema de comunicações com postos de sinais, defendido por 36.000 portugueses, 35.000 britânicos, 8.000 espanhóis e cerca de 60.000 homens de tropas portuguesas não regulares, estendidos ao longo de mais de 88Km (...)

Saiba mais em:
http://www.linhasdetorresvedras.com/historia/

domingo, 31 de outubro de 2010

Nevoeiro

MENSAGEM

«Nevoeiro»

Nem rei nem lei, nem Paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da Terra
Que é Portugal a entristecer-
Brilho sem luz e sem arder
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

FERNANDO PESSOA