domingo, 11 de maio de 2008

02-03-2008 – PR4 Tondela

Rota dos Caleiros
8km / circular

Olá, Amiguinhos

Conforme prometido, cá estou mais uma vez a passear pela Serra do Caramulo, onde se respira um ar tão puro e suave como em nenhum outro lugar.
Foi nesta Serra que a minha personagem “Caramulinha” nasceu.
Espero que a respeitem e preservem, não ateando fogo algum, não deixando lixo e nem retirem do se habitat natural as suas ainda muito diversificadas Fauna e Flora.
Um dia, li numa crónica sobre Pedestrianismo, uma introdução com esta bela e acertada frase:
«A paisagem Portuguesa é o mote perfeito para um passeio a pé, terapia completa e totalmente gratuita.»
Ora nem mais. Por prazer e devoção à modalidade, vim percorrer este maravilhoso trilho mesmo no coração do Caramulo, com início e fim no Caramulinho, onde se atinge o ponto mais alto desta Serra: 1070 metros.
Começa-se por caminhar ao longo de um estradão entre enormes penedos graníticos e as Chãs de pastagem, onde a tradição da pastorícia ainda se mantém, embora em muito menor escala.

Pelos caminhos são visíveis os sulcos marcados na rocha pelas rodas dos carros de bois, que ao longo de séculos trilharam por estas terras de clima rigoroso.

Num ápice e misteriosamente, surge-nos a povoação de Jueus, Aldeia bela e de gente conversadora e afável, com palavras simpáticas para quem os visitam.
Conta um morador,que outrora os acessos eram inóspitos e a sobrevivência nestas regiões agrestes eram muito dura. Por isso, aqui se fixaram comunidades de Judeus, que fugiam à perseguição que lhes foi movida e que viriam a expulsá-los do nosso País assim que foram localizados.
Novamente repovoada, foi uma Aldeia sempre com poucos habitantes, que faziam da agricultura e pastorícia os seus métodos de vida e fonte de rendimentos.
Aqui, podemos admirar o “penedo dos Judeus”, uma marca que ficou.

Do miradouro da Capela de Menino Jesus, avista-se uma paisagem deslumbrante onde sobressai a velha Calçada Romana e as ruínas das casas duma povoação que em tempos distantes se chamava “o Carvalhal”.

Dirigimo-nos depois para Pedrógão onde, entre as várias formações rochosas com formas imaginárias ao gosto de cada um, destaca-se o “Penedo do Equilíbrio”, enorme e arredondado, que está encimado noutro e que o tempo teima em não derrubar.

À saída desta povoação e ao encontro do sopé da montanha, deparamo-nos com o que resta de um aqueduto ou caleiro esculpido em dura rocha, por sinal aquele vestígio que mais se evidencia nesta rota que lhe dá o nome “Rota dos Caleiros”, que desta forma em “levada” serviam para trazer dos pontos mais altos da Serra a água para uso nas lides domesticas, irrigação das “chãs” ou campos de cultura de trigo e cevadas, assim como matar a sede aos enormes rebanhos que dantes pastavam pelas férteis encostas.
Um transeunte com quem conversamos nos informou estar para breve a Autarquia levar a cabo um projecto de recuperação e requalificação o mais original possível destas relíquias, na realidade um património onde se vê que há muito deixou de ter quem o preserve.
Oxalá assim seja, dissemos. E despedimo-nos na esperança quando um dia lá voltarmos, tudo esteja bem diferente, para melhor da região e mais atractivo turisticamente.

De regresso ao Caramulinho, avistam-se belas Aldeias encaixadas nos Vales da Serra, sobressaindo aquelas enormes “torres” do parque eólico, produzindo a energia alternativa do futuro, ao que parece já se impuseram na paisagem e estão para ficar.
No final da caminhada, ainda subi aqueles duzentos e tal degraus para chegar ao pico sinalizado por um marco geodésico e daí avistei e fotografei paisagens verdadeiramente espectaculares para recordar e jamais esquecer.

Depois, foi aquele franguinho saboroso e bem regado que degustamos no centro da Vila e que veio mesmo a calhar em beleza para recuperarmos algumas energias perdidas, saindo depois a passar a tarde num recanto de rara beleza, a Praia Fluvial do Porto Várzea, em Campia, no Concelho de Vouzela, relaxando naquele espaço paradisíaco com um saboroso café no típico bar próximo ao bucólico Rio Alfusqueiro.

Sobre este local, numa próxima crónica vos darei pormenores mais detalhados.

Que dia tão belo eu passei!

Beijinhos da “Caramulinha”

1 comentário:

didimar1 disse...

Estou aqui a navegar, à procura de imagens para matar saudade da região do Caramulo, onde nasci.
Vim parar a este Blog e fiquei encantada com as fotos e a forma como descreve os sítios por onde andou. Muitos parabéns e receba um abraço de uma Alcofrense no Rio de Janeiro.
Dylia